Roteiro de 1 dia em Milão

Se pra muita gente Milão é sem graça, sem atrativos e sem muito o que fazer, eu encontrei uma cidade viva e interessante. Talvez isso não seja de se estranhar tanto considerando que a cidade tem sido um polo cultural, político e histórico desde os tempos romanos (o que já a torna “turisticamente interessante” só por isso).

Afinal, foi em Milão que o Cristianismo foi declarado como a religião oficial no século IV, marcando o início do que seria a Idade Média, período em que também conservaria sua importância. Já na história moderna, foi ali que Mussolini fundou o Partido Fascista em 1919 e onde terminou executado em 1945. Hoje, a cidade é coração financeiro da Itália e uma das capitais da moda do mundo (com nomes como Armani, Versace e Dolce & Gabbana!).

Durante os bombardeios ao final da Segunda Guerra Mundial, muito do centro histórico foi completamente destruído, mas felizmente o que a cidade tinha de mais precioso sobreviveu: a Duomo, a Santa Ceia, o Castelo Sforzesco, que são os principais pontos turísticos da cidade.

Embora Milão seja a segunda cidade mais populosa da Itália (fica atrás apenas de Roma), a parte turística é bem concentrada, de forma que é possível conhecer a cidade em apenas um dia, se o seu tempo estiver apertado. Na verdade, nós tivemos uma tarde e uma manhã, e foi o suficiente pra vermos tudo que queríamos, incluindo a “Santa Ceia”.

Duomo

Normalmente, as pessoas começam o roteiro pela Duomo e acho que faz todo sentido, afinal esse já é o maior atrativo da cidade. Além disso, a cidade tem dois “grupos” de atrações: o primeiro bem perto da Duomo e o outro bem perto do Castelo Sforzesco, o que já divide o roteiro em duas partes (uma manhã e uma tarde).

Nós tínhamos ingressos reservados para a Biblioteca Ambrosiana e Santa Ceia, então apenas passamos em frente da Duomo bem rapidinho (já que nosso hotel ficava a apenas 2 quarteirões) e deixamos pra visitar a igreja e os arredores na nossa última manhã por lá. E aqui eu já conto a novela que é comprar ingressos para visitar a Santa Ceia!

A Santa Ceia (Il Cenaculo) fica na Basílica Convento Santa Maria delle Grazie e, teoricamente, seria possível comprar os ingressos pelo site oficial. No entanto, mesmo eu entrando no site no dia do início das vendas já estavam todos esgotados porque as empresas de turismo compram tudo. Li na internet, que era possível fazer a reserva pelo telefone. Também tentei, mas sem sucesso. Assim, o jeito foi apelar pra algum terceiro que vendesse, mas mesmo quando eu encontrava estava super-mega-faturado. Se o ingresso custava 15 euros, eles revendiam por 45 euros ou mais!

Mas fuçando aqui e ali, achei o TickItaly, que também revendia, mas apenas cobrando uma taxinha a mais. A “pegadinha” era que, na época, apenas vendiam casado com o ingresso para a Biblioteca Ambrosiana, mas ainda assim saía mais barato do que apenas um ingresso e todas as anteriores que encontrei. Então, comprei colocando a visita à Biblioteca antes da visita ao Convento. Assim, caso o vôo atrasasse, ou houvesse algum imprevisto, eu perderia o ingresso da Biblioteca (que também já tinha marcar o horário), mas não o do Convento.

Então, na verdade, nossa primeira parada foi a Biblioteca/Pinacoteca Ambrosiana, que eu provavelmente não teria entrado se não fosse a “condição” pra comprar o ingresso pra Santa Ceia, mas que gostei de conhecer! O local fica a 5 minutos de caminhada da Duomo.

A Biblioteca Ambrosiana foi fundada em 1607 por Cardinal Borromeo e foi uma das primeiras a permitir o acesso a qualquer um que pudesse ler. A ideia é que o lugar serviria como um centro de estudos e cultura e já naquela época reuniu um grande acervo de manuscritos em latim, grego, árabe, chinês, papiros, mapas antigos, etc. Isso já a torna uma das bibliotecas mais importantes do mundo.

Além disso, antes de morrer, o fundador doou toda a sua coleção de artes à Biblioteca. Assim, numa outra parte do prédio foi também inaugurada a Pinacoteca Ambrosiana, completando o sonho do fundador de que o local fosse um centro cultural. Depois, muitas obras foram adicionadas, como por exemplo vários quadros de Leonardo da Vinci.

Hoje, a Biblioteca/Pinacoteca reune verdadeiras obras primas. É ali, por exemplo, que está o famoso Codex Atlanticus, um conjunto de 12 livros escritos por Leonardo da Vinci, com seus desenhos e anotações para suas invenções, abrangendo uma grande variedade de assuntos, como vôo (a inspiração para o helicóptero surgiu aí), armamentos, instrumentos musicais, matemática, engenharia civil e botânica. Ali também estão os planos dos canais da cidade, alguns ainda em uso até hoje.

E foi super legal ver tudo isso de pertinho, algo que eu talvez não tivesse feito se não pela compra do tal ingresso casado. Depois de visitar (e me surpreender!) com a Biblioteca, fomos para a Basílica porque estava perto da hora da cereja do bolo: a Santa Ceia! (numa caminhada de 20/25 minutos)

Como disse antes, a Santa Ceia (Il Cenaculo) fica na Basilica Convento Santa Maria delle Grazie. O mural foi um dos muitos projetos que Leonardo da Vinci fez a mando de Ludovico Sforza, o Duque de Milão. Já naquela época, pinturas retratando a Última Ceia eram comuns em monastérios e, por isso, Sforza encomendou o mural. Mas o que Leonardo da Vinci fez tornou-se uma obra-prima tão grande, que se tornou uma das pinturas mais conhecidas em todo mundo.

O mural foi entregue em 1498 e dizem que Leonardo levou 4 anos pra completar a obra. Aparentemente, ele passou meses apenas procurando alguém entre os criminosos da cidade para representar o rosto de Judas. Na verdade, a pintura tem muitas curiosidades. Uma delas é que propositalmente Judas está mais na sombra. Outra é que os apóstolos foram agrupados em grupos de 3 para representar a Santíssima Trindade.

Mas o que eu achei mais interessante foi que Leonardo não usou a típica técnica de afresco, mas sim uma técnica “seca”. E por isso, infelizmente, o mural já começou a se deteriorar pouco tempo depois de ser entregue. Para piorar, além do desgaste pelo tempo, sofreu uma série de deteriorações: uma porta foi posta ali pelos padres ( e depois retirada), as tropas de Napoleão também teriam usado o mural como tiro ao alvo, além dos bombardeios da Segunda Guerra Mundial. Aliás, durante a Segunda Guerra, o mural só ficou de pé porque os padres usaram sacos de areia para protegê-lo, enquanto que o resto do monastério foi quase que completamente destruído.

E tudo isso você fica sabendo lá mesmo. O tour é guiado em pequenos grupos de 15 pessoas e dura apenas 15 minutos. A ideia dos pequenos grupos é regular a temperatura interna e evitar maior degradação do mural. E entre um grupo e outro há um espaço de 20-30 minutos sem visitas, novamente para regular a temperatura. Por isso, os ingressos são tão difíceis de conseguir!

Eu li que tem gente que dá sorte e consegue comprar o ingresso lá na hora por ter havido alguma desistência. Quando chegamos tinha uma filinha de gente esperando eventuais desistências, e quando saímos as mesmas pessoas ainda estavam todas lá. Ou seja, pelo visto, realmente depende de dar muita sorte e ter muita paciência!

Santa Ceia visitada, fomos para o Castelo Sforzesco, que fica a apenas 10 minutos a pé do Convento. Originalmente uma fortaleza, o local foi quase que totalmente transformado para ser a residência principal da Flamiglia Sforza, Duques de Milão e governantes da Milão renascentista. As defesas do castelo foram construídas por ninguém menos que Leonardo da Vinci, e ficariam lá até Napoleão drenar o fosso, remover as pontes e destruir as torres.

Hoje o local abriga vários museus, que vão desde o Museu Egípcio até o Museu de Instrumentos Musicais. A entrada para o castelo em si é gratuita, enquanto que o ingresso para os museus custa 5 euros.

Logo atrás do Castelo, fica o Parque Sempione, que além de um lago no meio e muitas estátuas, conta com vários monumentos em volta!

Com o fim da tarde e tudo fechando, demos o dia por encerrado e deixamos para conhecer o resto na manhã que teríamos no nosso último dia de viagem. E essa manhã foi mais que o suficiente para visitar a Duomo, a galeria e passar em outros pontos como o Teatro Scalla e o Quadrilátero de Ouro.

Começamos a manhã visitando a Duomo di Milano (Catedral de Milão). A construção da Catedral foi iniciada em 1386 e levou quase 600 anos para ser concluída! E mesmo assim, a igreja (e principalmente a fachada) só foram completadas “às pressas” porque Napoleão queria ser coroado Rei da Itália lá (e mesmo isso levou 8 anos!). Hoje, a Duomo está entre as 5 maiores igrejas do mundo.

Toda construída em mármore, a catedral conta com 157m de largura por 108 de altura até o topo da torre principal está a Madonnina, uma estátua de Maria. E se o tamanho já impressiona, a riqueza de detalhes impressiona mais ainda: são 135 torres e 3400 estátuas!

Para visitar a igreja por dentro, a bilheteria fica em um prédio ao lado da Duomo. Os ingressos custam 5 euros e não é necessário reservar com antecedência. Há ingressos separados para subir a torre principal (até o telhado!), visitar o museu da Duomo e o batistério.

Mas já aviso que o que impressiona mesmo na catedral é o seu exterior, com todas aquelas torres, estátuas e detalhes! Ainda mais considerando que tudo é de mármore puro. Por dentro, tem o estilo bem típico de igreja medieval europeia: mais escura e com menos extravagância que o interior. Ainda assim, tem os maiores vitrais do mundo, muitas estátuas e muitas colunas, o que faz valer a pena a visita.

Na Piazza del Duomo (Praça da Catedral), bem em frente à igreja, fica o Palazzo Reale di Milano (Palácio Real), que serviu como sede do governo de Milão por séculos e hoje é um centro cultural com exibições de arte moderna.

Já ao lado oposto, do outro lado da praça fica a Galleria Vittorio Emanuele II, um dos shoppings mais antigos do mundo, tendo sido inaugurado em 1877. A Galeria recebeu esse nome em homenagem à Vittorio Emanuele II, o primeiro rei da Itália.

Foi construída em formato octogonal, com teto em forma de cruz e com uma cúpula de vidro e ferro. Não deixe de olhar também o chão, que conta com 4 mosaicos existem quatro mosaicos com os brasões das quatro capitais do Reino da Itália (Milão, Turim, Florença e Roma).

Símbolo de luxo e modernidade, a Galleria foi um dos primeiros locais a receber energia elétrica no país. Desde aquela época, até hoje, o local abriga marcas de luxos, como Prada, Gucci e Louis Vuitton. Também se encontram restaurantes tradicionais, como o Ristorante Biffi, de 1852.

A Galleria está localizada entre dois dos principais monumentos de Milão: a Duomo e o Teatro Scala. Então saindo da Duomo e passando por dentro da Galleria, do outro lado você já dá de cara com o Teatro alla Scala. Esse teatro, também chamado de La Scalla, inaugurado em 1778 é uma das casas de óperas mais antigas e mais tradicionais do mundo. Por ali passaram Verdi, Pavarotti e muitos outros nomes. E dali mesmo já tivemos que voltar porque nosso tempo estava curto.

Mas se você estiver com mais tempo, o Teatro Scalla já fica na Via Alessandro Manzoni, que a poucos quarteirões dali já forma o Quadrilátero de Ouro (Cuadrilatero d’Oro/della Moda), o bairro da moda mais famoso do mundo. Delimitado pela Via Monte Napoleone, Via Sant’Andrea, Via della Spiga e Via Alessandro Manzoni , o Quadrilátero de Ouro abriga as lojas de grife mais caras do mundo, sendo sinônimo de dinheiro e sofisticação.

Ali perto também fica a Pinacoteca di Brera, um museu de ate que conta com obras de artistas internacionais como Goya e Rembrandt, bem como italianos como Caravaggio.

Na verdade, da Galleria já fomos almoçar um último Ossobuco con risotto alla milanesa, pegar as malas e correr para o aeroporto. E os detalhes mais práticos dessa viajem (roteiro pela região da Lombardia, hotel, como ir e voltar do aeroporto) são assunto do próximo post.

Por fim, para resumir esse post aqui vai uma sugestão de roteiro. E esse roteiro você pode organizar conforme o horário do horário da Santa Ceia, caso queira e consiga ingresso. Assim, seu roteiro pode ficar assim:

  • Parte 1 (manhã): Duomo, Galleria Vittorio Emanuele I, Teatro alla Scala
  • Parte 2 (tarde): Castelo Sforzesco, Parque Sempione e Convento Santa Marie delle Grazie (se conseguir ingresso para Santa Ceia)
  • Bônus: Biblioteca Ambrosiana, Pinacoteca di Brera e Quadrilátero de Ouro

Como: um bate e volta imperdível de Milão!

O Lago di Como é o terceiro em tamanho da Itália e fica na região da Lombardia, a apenas 45km de Milão e já quase fazendo fronteira com a Suíça. Então ali você encontra tudo que espera da Itália: montanhas a perder de vista, um lago lindo esverdeado, casas coloridas, boa comida, bom vinho, beleza e tranquilidade.

O Lago di Como tem sido um refúgio para pessoas ricas desde os tempos romanos. Por isso, possui ainda muitas vilas e palácios, como os palácios de Villa Olmo e Villa Carlotta. Atualmente, muitas pessoas famosas ainda têm casas de veraneio nas margens do Lago Como como, por exemplo, George Clooney que tem uma casa na pitoresca Bellagio. Mas nem só de luxo vive Como, e hoje o local atrai turistas do mundo todo, que vão pra passar alguns dias, ou apenas um bate-e-volta esperto a partir de Milão (que foi o que nós fizemos e que eu vou explicar direitinho como fazer mais embaixo).

A cidade de Como, que leva o mesmo nome do lago, tem um centro histórico bem conservado, cheia de vielas apertadas, uma catedral antiga. Mas nós nem visitamos essa parte mais histórica. Aproveitamos nosso tempo para simplesmente caminhar pela “orla” que cerca o lago.

É também na orla, a apenas 5 minutos à pé da estação Nord que fica o Funicular para Brunate. As passagens custavam uns 5 euros ida e volta e te levam até a cidade de Brunate que fica a 500m acima de Como. O trajeto dura cerca de 5 minutos.

A cidadezinha de Brunate conta com menos de 2mil habitantes e, pelo menos quando fomos, estava super pacata. A vista que se tem da cidade para Como é simplesmente ES-PE-TA-CU-LAR! De cima você pode ver o lago verdinho, a cidade de Como e as muitas montanhas que cercam a região.

A vista vale tanto a pena que escolhemos um restaurante com vista para o lago. Como chegamos cedo, conseguimos uma mesa bem no balcão da varanda e fomos logo pedindo um vinho da região. Entramos pela vista, sem grandes expectativas quanto à comida, mas a comida era de comer rezando e tinha aquele preço amigo. Infelizmente, não me lembro o nome do restaurante, mas eu acredito que um bom vinho, uma boa comida e aquele vistão maravilhoso não seja tão difícil assim de encontrar em Brunate.

Algumas taças de vinho depois, descemos o funicular, andamos mais pela “orla”, parando aqui e ali, para fotografar ou simplesmente sentar em um banco e curtir a vista. Muitas fotos e um gelatto depois, decidimos que era hora de voltar pra Milão.

Como na prática: bate e volta desde Milão

A ida para Como foi muito tranquila. Pegamos um táxi do nosso hotel (que ficava quase ao lado da Duomo) e fomos para a estação Cadorna (que fica próxima ao Castelo Sforzesco), numa corrida que custou apenas 7 euros. Mas se preferir ir metrô é super fácil (já que a estação de metrô se chama Cardorna também e te deixa já na entrada da estação de trem). Além disso, há uma estação de ônibus também em frente à estação de trem, com ônibus para a cidade toda. Ou dependendo de onde você estiver hospedado, pode também ir à pé (que foi o que fizemos na volta).

Então, da Estação Cadorna em Milão você pega o trem para a cidade de Como, que conta com algumas, estações, e você deve descer na Estação Como Nord Lago, que vai ser a última da cidade. As passagens custam apenas 5 euros. Há trens a cada meia hora, então não há necessidade de comprar com antecedência. Basta chegar lá, comprar na maquininha e embarcar no próximo trem.

De Milão a Como são apenas 50 minutos de trem. Saia da estação Como Nord Lago e voilà: você já vai dar de cara com o lago! E a 5 minutos a pé da estação já fica o centrinho da cidade de Como. (Eu disse que era um bate e volta bem tranquilo!)

Logo ali perto da estação estão também os barcos, que levam para as outras cidades/vilas da região, como a famosa Bellagio. São vários barcos, então também não é necessário reserva: basta pegar o primeiro que estiver saindo. Na época li que é bom estar atento no horário da volta, por ter muita gente querendo voltar no mesmo horário (17-18hs).

Nós queríamos passar um dia beeem tranquilo, sem correria, sem preocupação com horários e sem muita gente por perto. Afinal, (1) era nosso aniversário de casamento e (2) no dia anterior tínhamos ido ao Lago di Garda e Sirmione, que foi um perrenguezinho. Então, só queríamos tranquilidade nesse dia e, por isso, resolvemos ficar só por Como (e Brunate) mesmo. E realmente Como superou as expectativas!

Um dia em Sirmione e Lago di Garda

O Lago di Garda é o maior lago da Itália, tendo 370km e localizado entre as regiões da Lombardia e Veneto. Desde os tempos romanos toda a região de Garda, incluindo a área de Sirmione, tornou-se um resort favorito para famílias abastadas. Hoje, Sirmione segue atraindo milhares de turistas, que querem conhecer a cidade medieval mais bonita do Lago Garda, conhecida como “a jóia de garda”.

Além do lago incrivelmente azul e bonito, Sirmione ainda é uma cidadezinha fortificada, que parece ter parado na Idade Média. Já no século IV a pequena cidade começou a ser fortificada, mas foi só no século XIII, quando a região caiu nas mãos da Famiglia Scaligero (a mesma que governava Verona), que o castelo foi erguido.

O Castello Scaligero é a principal atração da cidade. A construção começou em 1277 quando a Famiglia della Scala/Scaligero buscava aumentar sua influência no norte do país. O grande castelo, em formato quadricular, foi construído em local estratégico: bem na entrada da península da antiga Sirmione.

Para deixar ainda mais “intransponível”, o castelo seria cercado de um fosso natural e só poderia ser acessado por duas pontes elevadiças.Até hoje realmente só há as duas entradas para a cidade, que dão acesso ao castelo e a uma cidadezinha medieval super bem preservada e bonita.

Também dá pra visitar a Rocca Scaligero, que é a torre que guarda a entrada do castelo. Mas já aviso que são 146 degraus até o topo e uma boa fila pra entrar (não, obrigada!).

Além do castelo, é possível visitar a Grotte di Catullo, que fica a uns 30 minutos de caminhada do castelo. Essa é uma vila romana do século I, que parece ainda estar em bom estado de preservação. Mas se o seu tempo estiver curto, ou simplesmente não estiver muito afim, há passeios de barco que saem bem da entrada da cidade antiga/castelo e te levam pra contornar a península, passando pela Grotte di Catullo. E foi isso o que fizemos!

Entramos no primeiro barco que iria sair, esperamos encher mais um pouco e logo já estávamos passeando pelo Lago Garda. Passamos pela Grotte di Catullo, pelas termas, demos a volta na península e 30 minutos depois desembarcamos no mesmo ponto. Super agradável e custa 10 euros por pessoa.

Outra atração de Sirmione pra quem tem mais tempo são as termas naturais. No spa Aquaria há piscinas termais ao ar livre, com vista para o lago. Nada mal, ne!?

Nós fomos em um bate-e-volta mais corridinho. Então, conhecemos o castelo, a cidadezinha, aproveitamos pra almoçar, tomar um gelato e fazer o passeio de barco. Mas não vou mentir: é realmente tudo muito lotado. Muita gente, o tempo todo em todos os lugares dentro dos muros da cidade.

Quando cansamos de toda a muvuca da cidade antiga, fomos andar pelas praias e pela parte natural, longe da multidão.E foi suuuper agradável, mesmo que estivesse ventando horrores! Basta andar uns 10 minutos pela “orla” e você já sai de toda bagunça pra um lugar super tranquilo e com apenas um ou outro gato pingado aparecendo de vez em quando.

Com a ventania aumentando, decidimos que era hora de deixar a pitoresca Sirmione e voltar pra Milão.

Sirmione na prática: bate e volta desde Milão

Eu gostei muito de Sirmione! Realmente a cidade é linda e o castelo parece saído de uma montagem de revista, maaas é meio chatinho de se chegar de transporte público vindo de Milão pra um bate e volta. Acho que vale mais a pena ir de carro, pernoitar por lá e seguir pra Verona.

Maaas nós estávamos sem tempo. Na nossa viagem pra Milão, além de Milão em si estávamos determinados a conhecer o máximo da região. Então, aproveitamos pra conhecer Verona (post aqui) e o Lago Como (tema do próximo post) e só sobrou um dia pro Largo Garda.

Em teoria, chegar lá é bem fácil. Basta pegar o trem para de Milão para Desenzano del Garda – Sirmione, que faz o trajeto em 1h20m. Chegando lá seria apenas pegar o ônibus LN026 até Sirmione, o que demora mais uns 20/25 minutos. Em tese o ônibus e trem teriam horários casados.

Na prática, pelo menos no dia em que fomos, na ida o ônibus atrasou muito e estava indo apenas até a metade do caminho, onde depois tivemos que pegar um outro shuttle, que passava em um lugar diferente do que descemos e que demorou horrores pra aparecer. E não havia nenhuma informação em lugar nenhum. Apesar da demora e da desorganização eventualmente chegamos lá.

Mas o-Deus-nos-acuda mesmo foi na volta! Chegamos no ponto de ônibus relativamente cedo, justamente pq o ônibus só passava a cada 1h30min. Maaas o tempo foi passando e mais gente foi chegando. Felizmente, como éramos os primeiros da “fila”, conseguimos entrar quando o ônibus finalmente passou (novamente atrasado!). Mas a grande maioria ficou lá no ponto pq não cabia mais gente (o suficiente pra encher mais 1 ou 2 ônibus fácil), sendo que o próximo só passaria mais de 1h depois e garantidamente haveria ainda mt gente esperando!

Por toda essa confusão com o transporte, achei meio perrenguezinho um bate e volta pra lá. Ainda mais associado ao fato de que Sirmione é bem lotado. E olha que fomos em maio, fora de feriados. Por isso, muito embora o Lago Gardo seja realmente lindo e Sirmione encantadora, gostei mais do Lago Como: super vazio, sem aglomeração e um bate e volta muito tranquilo de fazer a partir de Milão (e Lago Como é justamente o tema do próximo post!).

Roteiro de 1 dia em Verona

Verona ficou imortalizada por Shakespeare como a cidade da trágica história de Romeu e Julieta. E embora Verona com suas construções romanas e medievais tenha muito mais a oferecer do que Romeu e Julieta, é inegável que a cidade recebe milhares de curiosos e casais apaixonados todos os anos justamente por causa de Shakespeare.

Verona preserva vários monumentos romanos, ainda que a cidade tenha sofrido um terremoto no século XII, o que levou à reconstrução da cidade em estilo românico. Por isso, a cidade também conta com muitas construções medievais.

Assim, optamos por começar nosso roteiro pelo monumento romano mais impressionante da cidade: a Arena de Verona. A arena fica na Piazza Brà, que é a maior praça da cidade. Além da Arena, na praça se encontram muitas lojas e restaurantes e também dois palácios: o Palazzo della Gran Guardia (que hoje é um centro de eventos) e Palazzo Barbieri (que hoje abriga a prefeitura).

Palazzo Barbieri

Mas a estrela da Piazza Brà é mesmo a Arena. Esse anfiteatro romano é o terceiro maior do mundo, tendo sido construído no ano 30 d.C. Sobreviveu quase que intacto ao terremoto do século XII e ainda hoje encontra-se em bom estado de conservação. É possível visitar tanto a arquibancada, quanto o meio do arena, e mesmo a parte subterrânea.

O local está tão bem conservado que lá acontecem apresentações de ópera e outras atividades culturais durante o verão, com capacidade para 30mil espectadores. Tanto que no dia que fomos a Arena estava sendo montada para um show que aconteceria mais tarde.

Depois disso fomos direto para a outra grande atração da cidade: a Casa di Giulietta, que fica a cerca de 10 minutos de caminhada da Arena (basta ir pela Via Giuseppe Manzzini até a Via Dal Capello).

A Casa di Giulietta é um casarão medieval, onde talvez a família Dal Cappello (para Shakespeare Capuleti) teria residido no século XIII e, portanto, onde Julieta teria vivido. A verdade é que não se sabe se a trama teria sido inspirada em pessoas que realmente existiram, ou se não passa de uma história completamente fictícia. Lenda ou não, também o nome da rua e da vila se chama Dal Cappello.

De toda forma, Shakespeare continua a arrastar milhares de turistas até o local. Você vai encontrar desde turistas tirando selfies até pessoas deixando cartas e bilhetes pra que Julieta dê uma ajuda na vida amorosa (lembra do filme Cartas para Julieta!?)

Aproveitando-se de toda o misticismo em volta do local, a prefeitura adquiriu o local em 1907. Todo o complexo foi restaurado e desde então é um museu. Nós entramos e lá dentro está a estátua original de Julieta. A que se encontra do lado de fora é uma réplica. Você pode ir até a varanda, onde supostamente Julieta esperava por Romeu.

Pra quem quiser explorar mais, ali perto está a Casa di Romeo e um pouco mais longe do centro histórico também tem a Tumba de Julieta.

Quase em frente à travessa que Dal Cappello, fica a Praça delle Erbe. Essa praça que já foi originalmente um fórum romano, foi totalmente reconstruída para dar lugar à suntuosos edifícios por volta do século XV.

O mais importante é o Palazzo Maffei, um antigo palácio que hoje também é um museu. Em volta há muitos cafés, restaurantes e outros monumentos. Também fica ali a Torre dei Lambert, uma torre de 84m construída em 1172.

Palazzo Maffei

E quase ao lado também fica a Piazza dei Signori, rodeada de palácios renascentistas, como o Pallazo Domus Nova e o Palazzo del Comune. No centro há uma estátua de Dante Alighieri, que viveu em Verona na época de seu exílio de Florença.

Dali fomos até a Ponte Pietra (Ponte de Pedra), que fica a cerca de 10 minutos de caminhada das praças. A ponte romana data do ano 100 a.C., ou seja, tem mais de 2mil anos! A ponte é bem colorida e você pode ver os arcos originais estando do lado direito do rio.

E bem perto da Ponte, fica o Museu Archeologico al Teatro Romano, onde estão as ruínas do antigo teatro romano, e o Castel San Pietro, um castelo construído e reconstruído ao longo dos séculos em um dos pontos mais estratégicos da cidade.

E dali pegamos a rua Corso Porta Borsari até chegar no Castelvecchio (Castelo Velho). Bem no meio do caminho também fica a Porta Borsari, um portal do século I que já foi o portão de entrada para a cidade. Já o Castelo data de 1350, tendo sido muito danificado durante a invasão de Napoleão e durante a Segunda Guerra Mundial. Após anos de restauração, hoje é um museu que abriga peças medievais.

Ao lado do Castelvecchio está a Piazzeta Castelvecchio, com o Arco de Gavi, que é um antigo arco romano, construído no século I a.C. pela família Gavi. Mais tarde, durante a Idade Média, os muros da cidade foram construídos ao seu redor, tornando-se o portão da cidade. Durante a Era Napoleônica, os franceses moveram o arco para a Arena e em 1932 voltou ao local original.

Em frente ao Castelvecchio também fica a Ponte Scaligero, uma ponte fortificada de 1354 por Cangrande della Scala, que reinou a cidade com punho de ferro. Ele mandou construir a ponte justamente para que fosse uma passagem de fuga segura do castelo caso a população se revoltasse contra seu governo tirano.

Ali você já estará bem perto da Arena, onde começou o trajeto.

Verona na prática: bate-e-volta desde Milão

Nós fomos de trem em um bate-e-volta a partir de Milão, que ficou super fácil e redondinho. E você tanto pode fazer isso, quanto fazer esse bate-e-volta a partir de Veneza ou em pitstop entre Milão e Veneza.

A estação de trem mais próxima do centro histórico se chama Verona Porta Nuova. Dali são 20 minutos de caminhada até a Piazza Brà (onde fica a Arena). Ou você pode pegar um ônibus até a praça. Basta pegar o ônibus 11, 12, 13, ou 52, que passam a cada 5 minutos na estação de ônibus bem em frente à estação. Já a corrida de táxi demora uns 5-8 minutos.

Nós pegamos o ônibus na ida e voltamos à pé, o que também deu 20 minutos de caminhada (desde o Castelvecchio até a estação Porta Nuova).

Para ir de Milão à Verona e voltar, comprei com alguma antecedência os bilhetes de trem direto no site da Trenitalia. O valor foi de mais ou menos 20-25 euros por pessoa ida e volta. O trajeto dura 1h50min e a frequência era de um trem por hora.