Viajando bem e barato pela Escandinávia

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Quando se pensa em uma viagem para Escandinávia também se pensa em altos custos. Isso nāo deixa de ser verdade. O Norte da Europa realmente é muito caro, especialmente a Noruega. Realmente a Noruega foi o lugar mais caro que já estive até agora (vamos ver como será a Islândia em novembro, que dizem ter um custo ainda mais alto já que tudo lá é importado).

Seja como for, nāo é isso que deve atrapalhar os planos de conhecer esse pedaço tāo bonito do mundo! Com muuuuito planejamento, é possível fazer uma viagem bem legal pelos países nórdicos e a rota viking, que foi o que fizemos.

Tudo começou com o show do Coldplay (que terá um post próprio em breve). A única época que o David poderia viajar pra ver o show  era em julho. Acontece que a turnê deles aqui era em junho, exceto pelo show de Copenhagen que era no começo de julho! Justamente a cidade em que o pai do David está residindo atualmente. Rá, era tudo que precisávamos! Foi entāo que pensei: vamos tirar férias e fazer a rota viking! Talvez fosse a vibe por ter acabado de ver 3 temporadas de Vikings em sequência.

Conseguimos comprar os ingressos para o show. E isso foi em novembro, o que me deu meses para planejar tudo e aproveitar promoções. Exemplo: as passagens para Copenhagen foram uma pechincha.

No total a viagem foi de 15 dias e o roteiro ficou assim:

  • 4 dias em Copenhagen
  • 4 dias em Bergen (Noruega)
  • 1 dia e meio em Estocolmo
  • 5 dias em um cruzeiro passando pela Finlândia, Estônia e Rússia
  • mais 1 dia em Estocolmo
  • mais 2 dias em Copenhagen

Portanto, foram 6 países em 15 dias. Óbvio que nāo deu pra conhecer tudo, mas deu pra sentir cada lugar.

Agora, como foi que conseguimos economizar!?

Bem, pra começar esse cruzeiro nāo era bem um cruzeiro, era uma ferry quase que exclusivamente usada por turistas russos. Sim, fizemos tudo em um navio russo! Era tāo russo que parte dos funcionários sequer falavam inglês e quase tudo estava escrito em cirílico! Depois vou falar melhor disso, mas basicamente super recomendo a St Peter Line para quem prefere abrir māo do conforto em prol de conhecer alguns países a mais! Ficamos 5 dias na cabine que nos serviu de transporte e hotel por 4 países e custou apenas 200 euros!! A cabine nāo tinha nada de luxuosa, mas estava limpa e foi mais que adequada às nossas necessidades. Além disso, conhecer Sāo Petersburgo de barco foi um jeito de evitar o  processo chato e caro de visto para Rússia.

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Ficamos em hotéis econômicos, mas todos tranquilos, limpos e com banheiro privativo e com café da manhā incluso.

A escolha de Bergen se deu por ser a cidade mais característica da Noruega e por ser de onde parte o Norway in a Nutshell, que é um passeio entre os fiordes e as montanhas! Todo o motivo pelo qual resolvemos ir para lá! Fazia mais sentido voar pra lá direto do que pra Oslo, já que é onde estāo os fiordes.

Basicamente, o deslocamento foi assim:

  • Copenhagen para Bergen: aviāo, voando pela SAS Airlines.
  • Bergen para Estocolmo: aviāo, também com as SAS Airlines. – A Norwegian Airlines é a low-cost nórdica e estava um pouco mais barata. Mas como teríamos que despachar bagagem e pra Estocolmo ela vai pra um aeroporto a cerca de 100km, só acessível por ônibus, no fim nāo valia a pena.
  • Em Estocolmo pegamos o St Peter Line Cruise, posteriormente também retornando a Estocolmo.
  • De Estocolmo para Copenhagen optei pelo trem numa viagem super tranquila de 5 horas, já que o trem era muito confortável. Comprando com meses de antecedência, consegui pagar 20 euros. Comprei no site da SJ, empresa de trem sueca que faz o trecho. Vez que os aeroportos de Estocolmo sāo distantes da cidade e ainda temos que chegar com uma hora de antecedência pelo menos, achei que faria sentido simplesmente pegar o trem, já que estaríamos hospedados próximos da estaçāo central. Além disso, só o valor do trem para o aeroporto era o mesmo que eu pagaria nas passagens para Copenhagen!

 

Hóteis

Em Copenhagen nāo ficamos em hotel, já que ficamos na casa do meu sogro.

Já em Bergen ficamos no Comfort Hotel Holberg. Pelo que me lembro foram uns 90 euros a diária. Ele era bem localizado, ficando a 5 min a pé do centro e do ponto em que o shuttle para o aeroporto para (depois tb farei um post falando de Bergen e explicando melhor como ir e voltar do aeroporto)

Em Estocolmo ficamos primeiro no Comfort Hotel Stockholm, pagando 60 euros na diária! O quarto era bem pequeno, mas ficava ao lado da estaçāo. O diferencial é que fica exatamente ao lado da saída do trem que liga o centro ao aeroporto (depois também falarei disso melhor).

Quando voltamos a Estocolmo ficamos no HTL UPPLANDSGATAN, que eu recomendo muito (gostei muito mais que do Comfort) e foi uns 70 e poucos euros. Quarto ótimo, chuveiro poderoso, hotel moderno e confortável, localizado a uns 500 m da estaçāo central. Se um dia voltar a Estocolmo, certamente ficarei nesse hotel novamente.

Nos próximos posts, falarei mais sobre cada destino e acabarei falando mais sobre os custos da viagem. De toda forma, o objetivo era falar como é sim possível fazer uma viagem muito legal pelos países nórdicos, sem gastar uma fortuna. Claro que, no fim, acaba sendo uma viagem mais cara mesmo. Afinal, os custos nāo se reduzem a hotéis e passagens, mas também a alimentaçāo, transporte público e passeios, que realmente sāo bem caros, especialmente na Dinamarca e na Noruega. Na Suécia já era bem mais tranquilo, e cá entre nós, foi o lugar que mais gostamos! Mas mais sobre isso nos próximos posts…

 

 

Varsóvia na prática

Nós fizemos uma viagem curta, chegando na sexta a noite e já partindo na segunda de manhā. Voamos a partir de Bruxelas pela Ryanair.Varsóvia tem dois aeroportos, o Chopin e o Modlin.

O Modlin é o mais distante do centro da cidade, levando cerca de 40-45 minutos. Como fomos com uma low-cost, claro que desembarcamos no Modlin. Fuçando na internet, além da opçāo de ônibus que sai de lá e vai para o centro, encontrei um transfer particular e resolvi contratar na ida e na volta. O nome da empresa é  Abeverest. No horário marcado o motorista estava nos esperando com meu nome. Foi o mais barato que encontrei, custando 25 euros cada perna ou 100 zlotys. A moeda lá é o Zloty. 1 euro dava pouco mais de 4 zlotys.

Ficamos hospedados no Hotel Mercure Warszawa Grand. O hotel era muito bom e foi o melhor mercure que já ficamos. Optamos pelo quarto privilege, já que eu tinha pontos acumulados da Accor e saiu quase que de graça a estadia. Mas lembro que esse hotel mesmo sem o desconto estava saindo pela bagatela de menos de 50 euros.

Nāo usamos transporte público, embora tenha lido que fosse muito bom. Fizemos absolutamente tudo a pé nos 2 dias inteiros que ficamos lá.

Embora o polaco seja a língua oficial e comumente falada, muitos falam inglês, especialmente nos locais mais turísticos.

Restaurante Zapiecek

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A maioria dos viajantes e blogueiros, gostam de restaurantes típicos escondidos no meio do nada e que nāo sāo lá muito voltado pra turistas. Nós também somos mais ou menos assim. Mas quer saber: por que nāo tentar também algo já na cara do gol das principais atraçōes!?

Foi assim que, depois de andar muito e esfomeados, bem no meio do centrāo turístico, encontramos o Restaurante Zapiecek, que estava inclusive com uma filinha. Pensamos: ah por que nāo!? Mesmo que a comida nāo seja lá das melhores, pelo menos estaremos descansando as pernas numa tarde ensolarada de frente aos principais monumentos!

Mas nāo só a localizaçāo era perfeita, como a comida era maravilhosa, o atendimento era muito bom e os preços tb eram beeeem tranquilos! Entāo, fica como dica. Eles tem 7 unidades pela cidade. Sāo bem tradicionais pelos pierogis,o shot mad dog e a limonada de maçā com hortelā. Provamos tudo, claro! E era tudo de comer rezando! Tanto que depois voltamos mais duas vezes!

Varsóvia na 2ª Guerra Mundial e no pós-guerra

Como disse no post anterior, o que mais me impressionou na Polônia foi sua história de reerguimento e seu próprio povo. Pode-se dizer que a principal característica dos poloneses é a força com que enfrentam as adversidades.

Como também disse, em boa parte da viagem me vinham à tona lembranças de filmes e livros que retrataram a 2ª Guerra Mundial lá. Talvez o mais me despertou toda sorte de reflexões foi “O Pianista”. Foi difïcil nāo andar por aquele centro histórico lindo, que hoje está como na primeira foto abaixo, mas que já esteve como na segunda foto.

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A todo momento, viamos monumentos que lembravam o Grande Levante, ou algo da invasāo nazista. Afinal, o marco do início da 2ª Guerra foi justamente a invasāo da Polônia. Em 1939, Varsóvia contava com mais de 1 milhāo de habitantes, dos quais 35% eram judeus.

Para manter a ordem e evitar insurreições, fazia parte da tática nazista manter a calma. Foi assim que disseram aos judeus que estavam construindo um bairro novo para o qual deveriam todos se mudarem. Claro que tratava-se do famoso Gueto de Varsóvia, local em que foram confinados inicialmente antes de serem enviados para o campo de concentraçāo de Auschwitz. Ainda hoje é possível encontrar restos do muro que separava o gueto da cidade.

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O que mais se destaca é que, 1943, os poloneses se insurgiram contra a Alemanha Nazi, no que ficou conhecido como o Levante de Varsóvia. No fim, eles se renderam. Mas quem poderia imaginar uma resistência tāo forte!? Homens, mulheres e crianças se uniram para tentar libertar a cidade.

Um dos famosos monumentos é o da criança soldado, inspirado na história real de um garoto de 13 anos que serviu de mensageiro e atuou na linha de frente das tropas, sendo morto. Assim como tantos outros.

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Infelizmente, após a rendiçāo dos poloneses, foi determinada a destruiçāo total da cidade. As tropas alemās foram destruindo quarteirāo por quarteirāo sistematicamente, até que nāo sobrasse praticamente nada. A ordem era que nāo sobrasse uma pedra em pé. nada foi poupado, nem mesmo as árvores, levando a cidade a um estado de completa ruína.

Tanto é assim que, após a guerra, um general russo relatando à Stalin o estado da cidade afirmou que havia visto muitas cidades destruídas, mas que nunca havia visto tanta destruiçāo.

Foi somente depois da “Libertaçāo” pelo Exército Vermelho que a cidade passou a ser reconstruída. Na verdade, o que aconteceu é que os russos também usaram uma técnica bem suja. O Exército Vermelho já se encontrava nas bordas da cidade, mas foi só quando esta foi massacrada e os nazistas começaram a voltar para Berlim, que eles adentraram a cidade. Quando poderiam tê-lo feito antes e evitado muitas mortes.

Logo começaria o período comunista lá, pessoalmente instalado o sistema por Stalin, muito embora a Polônia nunca tenha se juntado à Uniāo Soviética. Muitas atrocidades também foram cometidas durante todo o período, mas o regime comunista utilizava-se da propaganda como forma de  espalhar a ideologia. Sendo assim, um esforço para reconstruir a cidade foi feito e muitos dos prédios tinham a característica da grandiosidade socialista. Exemplo disso, é o Palácio da Cultura, um arranha-céu de 231 metros de altura.

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A Polônia muito sofreu com o regime comunista. Por isso, o Palácio da Cultura até hoje é alvo de muita polêmica. Muitos monumentos e prédios construídos pelos soviéticos estāo sendo demolidos e, nāo raro, surgem vozes a favor da derrubada desse prédio também. Todavia, aparentemente, está certo que esse será um dos prédios que serāo mantidos. Convenhamos, é um landmark lindíssimo e que merece ficar como está!