Mont St-Michel na prática

  • Como chegar

Nós fomos de transporte público e isso é realmente muito fácil. No nosso caso fizemos apenas a perna da ida Paris/Mont Saint Michel pq depois fizemos um stop-over em Rennes e fizemos Rennes-Paris na volta.

Não há trens direto para o Mont St-Michel, mas de toda forma, quando vc entra no site da SNCF e coloca Paris/Mont St-Michel, o site já te dá a passagem de trem combinada com a do ônibus que leva para o Mont St-Michel. São 1h40m de trem até Rennes e depois mais 1h de ônibus até o Mont. O trem parte de Paris da estação Montparnasse.

O horário do trem é casado com o do ônibus, com uns 15 minutos de espaço pra desembarcar em um e entrar no outro. Lembro que saindo do trem, descemos um andar, saímos da estação e a rodoviária ficava atrás. Aí era só procurar a plataforma indicando o destino “Mont Saint Michel”. Não sobrava muito tempo, mas era o suficiente pra achar o ônibus e embarcar. Quando estiver no ônibus, fique atento pois o ônibus faz outras paradas.

A volta é a mesma coisa, ônibus + trem. No nosso caso tb voltamos por Rennes, mas compramos as passagens separadas Mont Saint Michel/Rennes e dois dias depois Rennes/Paris, pois aproveitamos pra conhecer Rennes e fazer mais um bate e volta a partir de Rennes pra St-Malo (que terão posts próprios). As passagens de ônibus também comprei pelo site da SNCF e muito embora o horário fosse 18hs nos deixaram embarcar no ônibus anterior sem problemas (até pq estava praticamente vazio):

Note que o preço das passagens podem variar bastante, conforme a data, horário. Tanto que a ida pagamos 142 euros na segunda classe e a volta 48 euros na primeira classe pra 2 duas pessoas:

Pelo que me lembro também haviam trens e ônibus para a estação de Pontorson, que é uma cidade próxima do Mont Saint Michel, e de lá haviam ônibus para Mont St-Michel, mas não fiz esse trajeto porque não encontrei muitas informações.

  • Bate e volta ou ficar uma noite lá?

Como eu já disse nesse post aqui, a sua primeira decisão vai ser quanto tempo ficar no Mont Saint-Michel. Há excursões todos os dias a partir de Paris, mas isso eu não recomendo mesmo!

Durante o dia o lugar fica muito cheio! Com centenas e centenas de pessoas chegando

Às 5hs o lugar já ficava mais vazio com as excursões de ônibus voltando para Paris, ou pessoas que fizeram um bate-e-volta na combinação trem + ônibus. Depois das 19hs então fica realmente deserto! E foi aí que aproveitamos pra realmente explorar o vilarejo. Subir e descer por vielinhas estreitas, tirar 50mil fotos, sentar e continuar a ver a maré.

Havíamos chegado ao Saint Michel logo depois do almoço e o lugar estava apinhado de gente. É muita gente mesmo! Tanta gente que há filas pra subir aqueles trucentos degraus! E pra piorar à tarde estava um calor de fazer dó! Por isso mesmo nem entramos na abadia, que também estava com uma fila enorme e apinhada de gente!

Então, realmente foi muito bom poder aproveitar o lugar vazio, já com aquela brisa gostosa de fim de tarde. Eu recomendo demais passar a noite lá ou em algum lugar bem próximo justamente por isso!

Conheço gente que foi ao Mont Saint Michel e não gostou, justamente pq achou mt lotado e que não aproveitou nada. Acho que não teria sido uma experiência boa mesmo fazer um bate-e-volta de Paris, a começar que não teríamos visto a maré, visitaríamos o lugar com tempo contado e cheio de gente, depois de ficar horas num ônibus de excursão ou no transporte público!

Além disso, a vista do Mont St Michel à noite tb é mt bonita, e vc só vai ter se passar a noite por lá!

Então minha dica mais importante é: reserve um hotel por lá!

  • Onde se hospedar

Vc tanto pode se hospedar dentro da ilha, como fora. Há algumas pousadas dentro do próprio Monte, mas considere que chegando na estação de ônibus ou estacionamento vc ainda terá que pegar um shuttle que te deixará no Monte. Dependendo da localização vc terá que se deslocar com sua mala por vielas medievais e degraus. Além disso, a hospedagem será mais cara.

Por isso, decidimos ficar do lado de fora. São apenas 2 km que separam o Monte da parte continental, facilmente acessível por uma estradinha que fica disponível mesmo na maré alta. É também possível pegar o shuttle gratuito, mas estava sempre cheio e, por isso mesmo, preferimos andar e apreciar a vista, tanto na ida como na volta. Além disso, a vista do Mont St-Michel iluminado à noite faz valer a pena ficar no lado continental.

Ficamos no Hôtel Le Relais du Roy, que já fica quase que na saída da estradinha, a 1,5km do Monte. Também tem ponto do shuttle quase em frente, restaurante próprio, uma Brioche Dorée caso prefira tomar café numa padaria ao invés do hotel e tb estava perto do ponto do ônibus que liga Mont/Rennes. Reservamos um quarto que tinha uma sacadinha com vista lateral para o Mont St-Michel.

Vista da sacada do nosso quarto

  • Marés

O fenômeno da maré eu já expliquei nesse post aqui. Lá tem também o link do calendário das marés.

  • Onde e o que comer

A comida dentro do Mont Saint Michel pode ser bem cara, com restaurantes lotados e que necessitam de reserva.

O prato mais famoso é “Agneau pré-salé” (cordeiro pré-salgado). O que faz a carne ser particularmente saborosa é que é naturalmente salgada. O rebanho se alimenta da vegetação da área que por causa das marés é rica em sal. E daí a expressão pré-salgado. É servido com legumes normalmente também locais.

Outro prato típico é omelete areada feita no forno à lenha. O mais famoso é o do restaurante Mére Poulard. Quando passamos em frente estava com fila de espera. Dizem que é a omelete é ok, que é mais famoso do que bom, e vimos que custava cerca de 40 euros. Não animamos nem um pouco.

Encontramos o Hotel et Restaurante Du Guesclin e resolvemos jantar ali. Como a cidade já estava vazia, o restaurante estava bem tranquilo e pegamos uma mesa no andar de cima com vista para a Baía. O restaurante já valeria apenas pela vista! Mas além disso a comida era muito boa mesmo e eu recomendo esse restaurante demais!

Pegamos o menu com a opção de omelete areada e feita no forno como entrada e só a entrada já era o suficiente pra mim! Mas já que missão dada é missão cumprida, o prato principal tinha que ser o agneau pré-salé. E terminamos com uma sobremesa, porque a gente sempre acha um segundo estômago pra sobremesa ne! Esse menu custava 32 euros, mas havia opções à la carte, ou outras opções de menu.

Gostamos tanto que no outro dia voltamos e almoçamos lá de novo. No almoço estava mais agitado, mas mesmo assim conseguimos pegar a última mesa no andar de cima. Enfim, vale a visita!

Mont Saint-Michel e o espetáculo das marés

Continuando a série da França, o post de hoje é de um dos lugares mais visitados do país. Aliás, o segundo mais visitado após Paris! Se no passado artistas como Monet e Renoir viajando usando os novos trens rumo à Normandia, hoje hordas de turistas pegam o TGV ou ônibus de excursões todos os dias rumo à St-Michel, vilarejo na divisa das regiões da Normandia e da Bretanha. O lugar recebe mais de 3 milhões de turistas por ano. Então já prepare o psicológico pra ver muita gente!

Ao contrário do que possa parecer, o Mont Saint-Michel não é um castelo ou igreja. Na verdade, trata-se de um vilarejo medieval fortificado em uma ilha. No topo (após muitos e muitos degraus!) fica a abadia, elevada em homenagem à São Miguel Arcanjo.

Por séculos, o lugar resistiu à invasões, particularmente da Inglaterra e, por isso, se tornou um símbolo de resistência francesa. Isso se deu devido à sua posição geográfica, que faz com que na maré baixa o lugar seja apenas arenoso e na maré alta se torne uma ilha isolada do continente. As chamadas “marés galopantes” chegavam à até 15metros de altura rapidamente, e da mesma forma que chegavam também iam embora. Por isso a travessia era tão perigosa.

Finalmente, decks, barragens, uma estradinha de acesso foram construídos, garantindo o fácil acesso ao longo do ano todo ao Mont St-Michel. Todavia, isso provocou o assoreamento do entorno do Monte e faz com que ele se torne uma ilha apenas em alguns dias ao ano. Então, ver a dança das marés exige um certo planejamento, e também um pouco de sorte.

Antes da maré subir
Depois da maré subir

Nós sabíamos que estaríamos na Páscoa de 2019 na França e que pretendíamos ir até o Saint Michel. Como queríamos ver a maré alta (se possível fosse) eu analisei o calendário e marquei nossa ida pra lá bem nos dias com alta possibilidade de maré alta. Entrando no site oficial de turismo, há um calendário que mostra o nível da maré durante todos os dias do ano. Um coeficiente maior que 100 indica uma alta chance da maré ficar bem alta e o Mont St-Michel se tornar uma ilha completa por cerca de 1h. Para observar o fenômeno da maré alta, você deve chegar umas 2 horas antes dos horários indicados e achar um espaço em alguma mureta em meio à multidão! E aí é só esperar.

Tivemos a sorte de conseguir pegar uns dos dias de maré mais alta do ano. E realmente a velocidade com que a maré sobe e toma tudo em volta é impressionante! A gente achou nossa mureta e ficamos lá esperando. De longe víamos um grupo de turistas voltando de um tour pelas areias em volta. Há tours guiados para andar nas areais, já que pode ser perigoso se aventurar sozinho (risco de areia movediça ou de subida de maré). Alguns momentos depois víamos uma foca nadando no mesmo lugar que 1h antes havia esse grupo andando!

E ali ficamos muito tempo. Tanto vimos a maré subir e o Mont St-Michel se tornar uma ilha, como tb vimos a maré começar lentamente a baixar. Realmente, um espetáculo das águas!

Quando chegamos: arredores com areia “seca” e nem víamos o mar
Momento em que estávamos indo embora: maré bem cheia ainda
Manhã seguinte: maré baixa (mar mais ao longe)

Como nos hospedamos próximos do Mont (depois vou fazer um post só sobre o hotel), ficamos ali vendo as marés, até que bateu aquela fominha e fomos jantar (num restaurante taaaao bom que tb vai ganhar um post próprio!). Quando terminamos o jantar a maré ainda estava muito alta, as pessoas já haviam partido, ainda havia muita luz solar (em meados/final de abril o sol de põe quase às 22hs) e o Mont St-Michel era nosso!

Depois foi só andar de volta pela estradinha que liga o continente à ilha, com a brisa no rosto e ainda contemplando as águas dançarem só pra gente…

Jardins de Monet – Giverny

A pequena Giverny fica bem perto de Paris, o que dá um bate e volta perfeito pra um dia mais tranquilo na capital francesa. É um local símbolo do impressionismo.

Monet viveu de 1883 até sua morte em 1926 nessa pequena vila rural, em uma casa cercada por jardins repletos de flores , agora conhecida como Maison et Jardins de Claude Monet (Casa e Jardins de Monet).

Sua casa e jardins serviram de inspiração para seus famosos quadros. Alguns deles encontram-se em exposição no recinto. Além dos quadros e da casa, que conta com parte da mobília originária, o que impressiona mesmo são os jardins.

É inegável que o jardim é a grande estrela do lugar! Ali vc vai poder encontrar a famosa ponte japonesa, retratada em vários de seus quadros, como também as vitórias régias. Fomos na primavera e o jardim estava repleto de tulipas, narcisos e rosas.

Giverny na prática

Por falar nisso, o local fecha durante parte do ano, abrindo mais ou menos um pouco antes da Páscoa até meados de outubro. As datas e o horário de funcionamento podem ser encontradas no site.

Para chegar lá tem que pegar o trem a partir da estação Gare St.-Lazare até Vernon e depois um ônibus até Giverny. O local de partida do ônibus é em frente à estação de trem. No total, vc vai gastar 40 euros de transporte + 10 do ingresso.

Teoricamente, o trem é casado com o horário do ônibus. São apenas 4 ou 5 ônibus ao longo do dia, que passam a cada 2 horas aproximadamente. Uma amiga que tinha ido me disse que o ônibus não passou e eles tiveram que esperar mais 2hs pelo próximo.

Por isso, resolvemos ir de excursão mesmo. A excursão custava 45 euros e nos deu o tempo suficiente pra visitar a casa e os jardins com calma. Usamos novamente a France Tourisme, que iríamos usar pro tour no Vale do Loire nessa mesma viagem.

Mandei um email perguntando quanto tempo teríamos lá e disseram que seria de 1:30 à 2hs. Parecia pouco e, no fim, realmente ficamos 2hs, mas foi o suficiente.

Há o Passeio do Impressionismo, vendido pela TGV, em que há um trem decorado e o bilhete dá acesso à outras atrações e paradas, mas só é vendido no verão.

Um dia no Vale do Loire

O Vale do Loire é uma região bem grande da França, contando com mais de 300 castelos que se estendem ao curso do rio Loire. A uma curta distância de Paris, a região já foi de imensa importância estratégica. Antes do Rei Francisco I mudar o centro de poder dali para Paris, reis, rainhas e nobres vieram aqui para estabelecer castelos feudais e, mais tarde, suntuosos palácios. Durante a Revolução Francesa, muitos foram saqueados e parcialmente destruídos. Por isso, os que são abertos à visitação, praticamente não tem mobílias e itens originais.

Hoje, a maioria dos castelos ainda são de propriedade privada, sendo que alguns são abertos para visitação ou tornaram-se hotéis. Alguns têm sido assumidos pelo governo e entrado na rota do turismo, como o de Chambord, atraindo milhares de visitantes anualmente.

Nós fizemos 3 dos mais conhecidos castelos do Vale em um só dia, a partir de Paris em um bate-e-volta (lá no fim do post eu dou os detalhes). Conhecemos Chenonceau, Cheverny e Chambord.

Château de Chenonceau

Construído às margens do rio Cher, o Château de Chenonceau é um dos mais elegantes e bonitos do Vale do Loire. Este castelo é em grande parte obra de sete mulheres notáveis, duas das quais foram rainhas da França. Daí seu apelido “Le Château des Dames” (Castelo das Damas).

A fase inicial da construção começou em 1515 Katherine Briçonnet. Mais tarde, a ponte em arcos, a galeria e o jardim foram adicionados por Diane de Poitiers, amante do rei Henri II. Após a morte de Henri, Catherine de Médicis, a viúva do rei, forçou Diane (sua prima de segundo grau) a trocar Chenonceau pelo menos grandioso Château de Chaumont. Catherine completou a construção do castelo e acrescentou o labirinto, mais um jardim. Mais curioso, Catherine de Médico mandou realizar a construção em cima da ponte pq era onde a amante gostava de passear.

Chenonceau teve um apogeu do século XVIII sob a aristocrática Madame Dupin, que fez do castelo um centro da alta sociedade. Durante a Revolução Francesa, ela conseguiu salvar o castelo da destruição de multidões raivosas.

Outra curiosidade é que o castelo serviu de inspiração para o desenho da Cinderela.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o salão principal serviu de enfermaria. Hoje, guarda dezenas de quadros e peças importantes, vistas por milhares de turistas.

Dica: almoçamos ali mesmo. Ao lado do castelo, fica o “Bâtiment des Dômes”, onde fica um restaurante self-service à preços amigos.

Château de Cheverny

Apesar de pequeno, esse é possivelmente um dos mais suntuosos castelos do Vale. Provavelmente, a razão é que tem sido cuidado pela mesma família por gerações e gerações desde 1600.

O castelo tem algumas curiosidades. Uma delas é que, mais à frente dos jardins, o canil abriga cerca de 100 cães de caça.

Outra curiosidade é que esse castelo serviu de inspiração para o desenho do Tim Tim.

Por fim, às vezes há algumas exposições no castelo. Quando fomos, havia uma de lego, mas eu não acho que tenha combinado tanto assim com o ambiente hahaha

Château de Chambord

Nosso terceiro e último castelo era o mais aguardado de todos!

O castelo conta com 440 quartos, 365 lareiras e 84 escadas . É de longe o maior e mais visitado castelo do Vale do Loire. Iniciado em 1519 pelo rei François I, como casa de caça, rapidamente se transformou em um dos projetos arquitetônicos mais ambiciosos já tentados por um monarca francês.

Ironicamente, quando Chambord foi finalmente finalizado após 30 anos de trabalho, Francis achou seu palácio elaborado demais, preferindo os apartamentos reais em Amboise e Blois. No fim das contas, ele ficou aqui por apenas 42 dias durante todo o seu reinado!

Dentro do castelo, o que mais chama a atenção é a escadaria em hélice, supostamente construída por Leonardo da Vinci. São duas escadas interligadas em hélice, mas que nunca se encontram. Acredita-se que foi feita assim para que a realeza pudesse subir e descer sem se encontrar com súditos do castelo.

Mais impressionante ainda é o bosque que rodeia o castelo. Conta com mais de 50km², dos quais apenas uma parte é aberta ao público.

Uma curiosidade é que o castelo serviu de inspiração para o desenho da Bela e a Fera.

Vale do Loire na prática

Ficamos vários dias em Paris (depois vou postar nosso roteiro completo). Fizemos esse tour em um dos dias. Até pensamos em alugar carro e fazer esse trajeto em 2 ou 3 dias,incluindo mais pontos turísticos. Ou em ir de trem, também pernoitando em Amboise. Mas no fim, somando custos e benefícios, resolvemos fazer esse trajeto mesmo e conhecer outros pontos na França (Giverny, Saint Germain, etc).

Além disso, esse tour custou cerca de 100 euros, sendo que apenas as entradas dos três castelos daria algo em torno de 50 euros.

Foi um dia corrido, em que levamos na ida mais de 2hs e a mesma coisa na volta. Mas o tempo em cada um dos lugares foi suficiente. Cerca de 2hs em Chambord e Chenonceau e cerca de 45 minutos em Cheverny.

Talvez o que tenha contribuído, foi o fato que mesmo sendo alta temporada, só haviam 8 pessoas no nosso tour, que foi feito numa van. Logo, acabou sendo mais rápido do que em um tour com ônibus.

Usamos a empresa France Tourisme e o ponto de saída é bem perto do Louvre.