Um dia pela Toscana desde Florença: Monteriggioni, Siena, San Gimignano e muito Chianti!

Florença é a capital da Região da Toscana, que é uma das regiões mais bonitas da Itália. E embora Florença seja mesmo uma das cidades mais bonitas da Itália, a região da Toscana pode te surpreender mais ainda!

Poucas experiências de viagem pela Itália podem ser mais prazerosas do que pegar estradinhas cheias de vinhas e ciprestes até chegar na próxima cidadezinha medieval! Com certeza, uma das melhores experiências de turismo “rural chique” que alguém pode ter!

A região inclui cidades como San Gimignano, Siena, Pisa, Lucca, Arezzo, Montepulciano, Montalcino e muitas outras, que podem tanto render um ou mais bate-e-volta a partir de Florença, como podem fácil de tornar um road trip de uma semana! No nosso caso, só tínhamos um dia disponível e aproveitamos pra conhecer San Gimignano, Siena, Monteriggioni e mais uma vinícola em Lornano!

Monteriggioni

O medieval vilarejo de Monteriggioni foi nossa primeira parada no caminho entre Florença e Siena. A cidade fica no alto de uma colina e é ainda fortificada. O local parece ter parado no tempo e saído diretamente das páginas da Divina Comédia, obra em que Dante Alighieri séculos atrás já descrevia a estonteante muralha com suas 12 torres. Dos tempos de Alighieri pra cá pouco mudou: Monteriggioni continua com suas torres, cercada pela muralha e completamente medieval. Não é a toa que cenas de vários filmes foram gravados lá, inclusive O Gladiador.

Monteriggioni foi construída no século XIII pelos governantes de Siena, inimigos de Florença, como uma fortaleza no caminho entre Florença e Siena, e que deveria ser capaz de barrar os florentinos, ou de pelo menos atrasá-los. Com o tempo, e principalmente com a ascensão da Família Médici, a fortaleza acabou nas mãos de Florença.

Vale a pena comprar o ingresso e dar a volta pela muralha (mas você não caminha na muralha propriamente dita, mas numa plataforma elevada adjacente). A vista que se tem é fantástica, com ciprestes e vinhedos a perder de vista!

Fora isso, o que se tem pra fazer é caminhar pelas ruelas estreitas e de pedra, visitar a igrejinha,… Nós passamos menos de uma hora lá e foi o suficiente para visitar a igreja, subir a muralha, andar pela cidade e pegar a estrada de novo.

Siena

Nossa próxima parada foi Siena, também uma cidade medieval e também construída sobre colinas. Siena chegou ao seu apogeu no século XIII, o que levou ao desenvolvimento da arte e da arquitetura. Mesmo a universidade da cidade foi fundada em 1240. A Peste Negra matou metade da população, levando ao declínio da cidade, que ficou sem se desenvolver por séculos. Assim, mal viu o movimento renascentista e, por isso mesmo, as construções medievais se mantiveram quase que intactas até hoje.

O marco principal da cidade é a Piazza del Campo, também conhecida com Il Campo. A praça em forma de concha abriga o Palazzo Pubblico, além de muitos bares e restaurantes. Na praça também acontece em julho e agosto o Palio, que é uma corrida de cavalos tradicional, que começou na Idade Média e continua até hoje.

O Palazzo Pubblico é um edifício de arquitetura medieval e gótica foi construído em 1297 e serviu como sede do governo da cidade desde aquela época até hoje.

Adjacente ao palácio está a Torre del Mangia, que tem 102m e já foi uma das torres mais altas na Idade Média. Curiosamente, a torre recebeu esse nome em “homenagem” ao primeiro vigia que gastava todo seu ordenado em comida (mangia do verbo “mangiare” = comer). A torre é aberta à visitações pra quem quiser subir todos os 505 degraus!

Ainda na Piazza del Campo, a caminho da Catedral, você encontra a Fonte Gaia. Essa fonte foi construída a partir de 1342 e em 1858 teve suas esculturas originais substituídas por réplicas para preservação.

A cerca de 200m da Piazza del Campo está a Cattedrale di Santa Maria Assunta, ou simplesmente Duomo. A catedral que começou a ser construída no século XII é um exemplo da arquitetura românica-gótica italiana.

Na época do Renascentismo, a Duomo recebeu afrescos feitos por pintores renascentistas no seu interior, que se juntaram à rica decoração que já tinha. Vale a pena entrar nessa igreja e conferir!

O único empecilho pra visita no verão pode ser a roupa. É proibido entrar com roupas curtas, ou blusas sem manga. Se o problema for só a manga eles te dão esse treco de TNT pra usar, mas se o problema for o cumprimento da roupa, a entrada não é permitida (mesmo com ingresso comprado).

É possível visitar o domo da igreja (chamado de Porta del Cielo, ou Porta do Céu), mas aí tem que comprar um ingresso separado.Ao lado da igreja, fica o Battistero di San Giovanni, também em estilo gótico e também muito decorado, mas que também exige outro ingresso para entrada.

Fora isso a cidade conta com alguns museus e outro palácio, mas o legal mesmo é andar por suas ruelas e aproveitar essa cidade medieval ainda tão bem preservada.

Siena realmente é uma cidade medieval realmente muito bonita e eu acho que vale mesmo muito a pena passar uma manhã ou uma tarde por lá, se estiver na região! No nosso caso, passamos cerca de 2hs e seguimos pro nosso próximo destino.

Chianti em Lornano

A região da Toscana produz o vinho Chianti, um queridinho não só dos italianos, como de apreciadores de vinho em geral. No caminho entre Florença e Siena, o que não faltam são vinícolas produtoras de vinho. Muitas oferecem tours, privados ou em grupo. É possível até se hospedar em algumas delas.

Nossa parada foi na vinícola Fattoria Lornano, que é uma associação de produtores do vinho Chianti do pequeno vilarejo de Lornano, que conta com apenas 87 habitantes!

Na vinícola eles explicam todo o processo de fabricação do Chianti, mostram os celeiros e te levam pra melhor parte: a degustação. Provamos 4 tipos de Chianti, incluindo o famoso vinho Chianti Classico e Chianti Classico Riserva.

Se me lembro bem, havia a opção de degustação acompanhada de queijos e azeitonas também da região. E acho que eles também ofereciam hospedagem.

Além de conhecer a vinícola e provar o Chianti, o local em si é o “clichê toscano”: muitas flores, muitas videiras, muitos ciprestes a perder de vista sob o sol da toscana.

San Gimignano

Nossa terceira cidade medieval e último destino do dia foi a belíssima San Gimignano, que é outra jóia da Toscana. A cidade que é chamada de Manhattan Medieval conta hoje com 14 torres, remanescentes das 72 torres que já teve na Idade Média. Era a forma na época de se demonstrar poder e riqueza.

Tal qual sua vizinha Siena, a Peste Negra trouxe o declínio a próspera cidade, que também acabou nas mãos de Florença. Muitas de suas torres foram então destruídas ou reduzidas ao tamanho das casas. Pouco aconteceu depois disso e a cidade caiu no esquecimento por séculos até reaparecer no cenário turístico e cultural da região.

Assim como Monteriggioni, a cidade é ainda murada e a vista dos muros da cidade é aquela que a gente já pode esperar da Toscana: vinhas e ciprestes por todo horizonte!

Um dos pontos turístico mais importantes é a Collegiata, também chamada de Basilica di Santa Maria Assunta, ou Duomo. A catedral é do século XI e ainda tem afrescos originais da época. Outro é Palazzo Communale, que é desde o século XIII o prédio do governo local.

Mas confesso que não demos muita atenção não, por 2 motivos: 1) eu ainda estava meio alegre de todo o vinho na vinícola; 2) queria logo chegar na Piazza della Cisterna (Praça da Cisterna). Além de ser uma praça medieval linda, abriga o melhor gelato do mundo! E por isso mesmo, pra mim, era o momento mais aguardado! hahaha

Chegando na praça vc provavelmente vai encontrar uma sorveteria bem grande escrito “melhor gelato do mundo’. Não é essa! Quase ao lado está a Gelateria Dondoli, que já ganhou em vários anos o campeonato de melhor gelato do mundo.

Não espere um lugar pra sentar, ou algo mais chiquezinho. O lugar é só uma portinha. Pegue sua casquinha (ou copinho), ache um canto na praça e aproveite! E depois de não um, mas dois gelatos, infelizmente era hora de dar o dia por encerrado, pegar a estrada mais uma vez e voltar pra Florença…

Bate-e-volta pela Toscana em um dia na prática

Apesar de termos passado poucos dias em Florença, eu estava determinada a ter uma experiência Toscana. Assim, queria conhecer pelo menos uma ou duas cidades da região e ainda passar em uma vinícola.

Se sua ideia for fazer um bate-e-volta bem rápido só por alguma das cidadezinhas da região, a melhor opção pode ser o trem: cidades como Siena, Pisa, e muitas outras, contam com a estação de trem. Basta ir até a estação de trem, comprar a passagem e embarcar (e nem precisa comprar com antecedência). E prego!

Mas a gente queria ver mais da região, parar em alguma vinícola. Por outro lado, eu não queria dirigir. Afinal, se depois de beber 4 taças de vinho foi difícil até fazer o tour por San Gimignano, dirigir estava fora de cogitação!

Como só tínhamos um dia disponível, resolvemos fazer um tour. Escolhi a Italy on a budget tours pq além de ser o tour que cabia no nosso budget, com van para até 7/8 pessoas e incluía a degustação e as 3 cidades medievais que eu queria ir. Com a vantagem de poder beber tranquila, e não preocupar com estacionamento, mapa, estrada, nem nada.

Na época, a ideia da agência eram tour pra grupos pequenos de pessoas mais jovens. Quando chegamos lá na agência, só tinha um grupo de amigas australianas e mais um casal escocês, também recém-casado. Então, as amigas foram numa van e nós fomos em outra só com o casal, o que acabou sendo um tour semi-privativo. De toda forma, nos encontramos nas paradas e tanto o guia do nosso grupinho, com os das simpáticas australianas, eram ótimos.

A única decepção foi o almoço. A agência nos vendeu um almoço opcional como sendo entrada + prato principal + sobremesa e no fim tudo que tivemos foi uma tábua de frios em Siena acompanhada de água em um restaurante com atendimento péssimo. Pior ainda: nem o pão deu pra mesa toda. Resultado: saímos todos frustrados de lá e comentando que foi o ponto baixo do tour!

Enfim, essas são as opções para um bate-e-volta de um dia a partir de Florença: trem ou tour. Claro, também tem a opção de alugar um carro e dirigir pela região. Mas acho que essa opção funciona melhor pra quem tem mais dias disponíveis. E é algo que ainda queremos um dia fazer!

Roteiro em Florença

A Toscana é, sem dúvidas, uma das regiões mais bonitas da Itália, e mesmo da Europa. E Florença (ou Firenze, em italiano). é a capital e coração da Toscana. Além de estar rodeada por colinas e ciprestes, é ali que floresceu o Renascentismo. E muito embora a gente encontre arte renascentista não só pela Itália, mas pela Europa, é inegável que Florença foi o berço de tudo isso. Afinal, foi dali mesmo que saíram nomes como Michelangelo, Leonardo da Vinci, Botticelli e Donatello, que se tornaram os pais do Renascentismo.

Também de Florença que saíram o poeta Dante Alighieri (o autor de A Divina Comédia), o filósofo Maquiavel e o astrônomo/físico Galileu Galilei. E Florença também foi a casa da família mais importante da Europa por muitos anos: a Casa dos Médici.

Embora eles tenham começado como uma família rica, porém “comum”, seu poder aumentou tanto ao longo dos séculos que se tornaram os “Duques da Toscana”, transformando a região no independente “Grão-Ducado da Toscana”. Tamanha era a influência da família, que 4 papas também vieram dela, numa época em que a Igreja estava no centro de tudo.

E foi justamente os Médicis que decidiram fomentar o Renascimento, tornando-se mecenas de artistas como Michelangelo e Leonardo da Vinci. A família quando estava em seu apogeu, lá pelos idos do século XV a XVII, estavam decididos de que Florença deveria ser não só uma capital financeira e bancária, como uma capital cultural. E foi daí que mandaram construir igrejas, palácios, jardins, pontes, esculturas, etc, que seguem maravilhando milhares de turistas todos os anos e mantendo Florença como uma das cidades históricas mais importantes do mundo.

Eu visitei Florença há quase 6 anos, bem na minha lua-de-mel. E se Veneza trouxe uma série de desventuras, Florença foi super tranquila, mesmo sendo suuuper turística e estando cheia de gente! E se Veneza me deixou a ver navios em termos de romantismo, foi em Florença que encontrei tudo e muito mais do que esperava! Isso porque em Florença que me senti realmente na Itália: ótimos vinhos, comida maravilhosa, gelato à toda hora, arte renascentista por onde se anda, ensolarado, bonito e calmo! Realmente, foi a escolha mais acertada pra passarmos alguns dias da lua-de-mel após o cruzeiro pela Grécia.

Além disso, o centro histórico é relativamente pequeno. Então fica tudo meio que concentrado na mesma região e fazemos tudo à pé, o que contribuiu pra essa vibe mais relaxada da nossa estadia por lá. Entaaao, sem mais delongas, vamos ao roteiro por lá.

Na verdade, 99% dos turistas começa pela Catedral. Esse não foi nosso caso porque chegamos à tarde em Florença, já com ingresso reservado com hora marcada pra Galeria Uffizi no fim da tarde. E essa já é minha primeira dica: compre antecipadamente os ingressos para a visita no site oficial. As filas são gigantescas o ano todo, mas podem demorar até 4 horas na alta temporada.

O museu fica no Palazzo degli Uffizi, que foi um palácio construído em 1560 para abrigar escritórios do governo. E o nome Palazzo degli Uffizi significa exatamente Palácio dos Ofícios/Escritórios. Ao longo do tempo, os Médicis que usavam o palácio como sede oficial do ducado, foram enchendo o palácio de obras de artes renascentistas. A última herdeira/descendente direta da Famiglia Medici deixou toda a coleção de artes da família à cidade em 1743 com a condição de nunca pudesse deixar Florença. Assim, ela transformou o palácio em museu ainda em vida e reuniu ali quase todo o acervo da família. Desde então, estão lá algumas das pinturas mais conhecidas do período renascentista.

O museu tem várias salas, divididas por temas e artistas. Por exemplo, tem uma sala só pra arte toscana pré-renascentista, outra só pra esculturas diversas, outra só pra obras de Leonardo da Vinci e outra só pra Michelangelo.

No entanto, a sala mais esperada é a Sala di Botticelli, que contém a grande obra-prima La nascita di Venere (O Nascimento de Vênus), obra pintada por Botticelli e um dos símbolos do período renascentista.

Já o pátio do museu conta com várias esculturas que retratam as ilustres mentes que nasceram em Florença, como Michelangelo, Maquiavel, Galileu e vários outros.

Perto da entrada/saída da Galeria Ufizzi se tem uma vista quase que perfeita para a Ponte Vecchio. E eu digo quase que perfeita porque prepare-se para disputar espaço com os (muitos) turistas!

A Ponte Vecchio foi construída em 1345 e foi a única ponte de Florença que sobreviveu à Segunda Guerra Mundial. Os alemães batendo em retirada foram destruindo todas as pontes da cidade, mas mantiveram essa pela beleza e história. A ponte é fechada, e na verdade é uma galeria que conta com dezenas de joalherias. Originalmente, eram dezenas de açougues e os açougueiros jogavam os restos direto ali no Rio Arno mesmo. Com o tempo, além do mau cheiro, doenças passaram a se proliferar, tornando-se um problema para a prefeitura, que decidiu que apenas joalherias poderiam funcionar ali, o que se mantém até hoje!

Bem perto está a Piazza della Signoria. Na verdade, o Loggia dei Lanzi (também chamado de Loggia della Signoria) fica adjacente à Galeria Uffizi e é um edifício constituído por arcos abertos para a rua. A ideia de construir esses arcos para embelezar mais a praça veio de Michelangelo.

Mas o maior destaque da Piazza della Signoria é o Palazzo Vecchio (Palácio Velho). Essa fortificação começou a ser construída em 1298 para servir de sede para o governo municipal, mas em dado momento tornou-se mais um palácio da família Medici. Inicialmente, em frente ao palácio ali ficava a estátua original de David de Michelangelo. Mais tarde, em 1873, a estátua foi movida para a Galleria dell’Accademia e uma réplica de mesmo tamanho foi posta em seu lugar.

Quase em frente também está a Fontana del Nettuno (Fonte de Netuno) de 1559. Logo depois de exposta ao público, os locais já achando a fonte “espalhafatosa” demais, começaram a usar pra lavar roupa. Ao longo dos séculos, ela foi sofrendo sucessivas degradações, tendo sido apenas na última década completamente restaurada.

Saindo dali, e seguindo pela Via dei Calzaiuoli, você já cai na Cattedrale di Santa Maria del Fiori, ou simplesmente Duomo. Se fosse pra escolher um ponto turístico como o maior importante de Florença, talvez esse seria justamente a Duomo. A igreja em estilo gótico começou a ser construída em 1296, mas levou quase 2 séculos pra ser terminada. Mesmo assim, depois ainda ganhou uns retoques renascentistas, principalmente no interior.

A catedral é uma construção impressionante, com uma fachada de mármore rosa, branco e verde de deixar qualquer um de queixo caído. Isso pra não falar na icônica cúpula vermelha. Com certeza, você vai passar um bom tempo admirando a arquitetura, cores, vitrais e os muitos detalhes desse monumento. No entanto, devo admitir que o interior da catedral não impressiona tanto. A riqueza de detalhes e a beleza está mesmo no exterior da catedral.

Bem ao lado da catedral fica a Campanille, que é a torre do sino. E em frente, fica o Battistero di San Giovanni, um batistério do século XI, em que figuras como Dante Alighieri foram batizadas.

E também bem perto dali, praticamente no meio do caminho entre a Piazza della Signoria e a Duomo, fica a Piazza della Repubblica, onde ficavam o antigo fórum romano e o antigo mercado municipal. Seguindo pela Via Calimala, vc chega direto na Ponte Vecchio.

Dali você pode cruzar a ponte para ir conhecer o Palazzo Pitti. Esse palácio foi construído em 1458 a mando de Lucas Pitti, um rico banqueiro da cidade. Posteriormente, foi comprado pelos Médicis, tornando-se a principal residência da família. Hoje é o maior museu de Florença. Como a fila para entrar estava muito grande, acabamos vendo só pelo lado de fora.

Só isso já dá um roteiro bem redondinho e que dá pra sentir Florença. Mas também vale a pena incluir a Basilica di Santa Croce. Essa igreja fica a 800m da Duomo e ali estão enterrados florentinos ilustres, como Micheangelo, Galileu e Maquiavel. Além disso, é a maior igreja franciscana do mundo, tendo também muitas obras de arte. Além da igreja em si, é possível visitar as instalações do convento, como o pátio principal, que é bem bonito.

Pra quem quer ver mais obras de Michelangelo e descobrir mais sobre esse gênio renascentista, a Galleria dell’Accademia é parada obrigatória. Ali há diversas de suas obras, incluindo a estátua original de David. Quando fui não dava para comprar o ingresso antecipadamente no próprio site, apenas por empresas parceiras, ou encarar a longa fila para entrar. O museu fica também no centrinho, há uns 500m da Duomo.

E pra finalizar esse post, meu lugar favorito em Florença: a Piazzale Micheangelo! Esse é o único lugar que não está no centro histórico, mas a uns 20 minutos de caminhada (ou 5 minutinhos de uber/táxi). No centro da praça tem outra réplica da Estátua de David, e a praça em si já é super bonitinha.

Mas o diferencial dali é a vista de Florença! Dali que se tem aquela vista ma-ra-vi-lho-sa de toda a cidade, com a cúpula da Duomo, o centro histórico e tudo mais! Nosso hotel ficava ali perto e acabou que passamos algumas vezes pela praça, que acabou virando meu ponto favorito da cidade!

Dicas finais

– Dica de hotel em Florença

E por falar em hotel, eu não poderia deixar de indicar o hotel que ficamos! Ficamos no simpático e confortável Hotel David. Embora não esteja bem pertinho do centro e da estação de trem, fica a uns 20 minutos em uma agradável caminhada do centro histórico.

Os quartos são ótimos num casarão bem típico toscano, mas o diferencial mesmo era o atendimento atencioso! Além de um café da manhã farto com produtos da região, no fim da tarde tinha happy hour no jardim com várias opções de vinhos e petiscos da região. Na época era possível fazer uma ligação por dia de longa distância pra qualquer país do mundo (o que naquele tempo anterior aos smartphones era um super diferencial!). O kit de banho (shampoo, sabonete, condicionador) eram de ótima qualidades, com produtos regionais à base de azeite. E até um mapa personalizado eles tinham, já com dicas deles de restaurantes e o que fazer.

Quando fui reservar eles já não tinham nenhum quarto disponível pra 4 noites. Assim, dividi 2 em quarto normal e 2 em um quarto de categoria superior. O engraçado foi que o quarto normal era no térreo (mas super silencioso). Já o superior ficava no último andar e o elevador passava bem no meio dele, tanto que o quarto estava de um lado, que dava pra um corredor e atrás dele o banhiero, com o elevador bem no meio! Então, já tinha um pouco de barulho do elevador. Além disso, o quarto tinha uma sacada com muitas luzes piscando e uma cortina que não bloqueava tudo. Então, na nossa primeira noite, não conseguíamos pegar no sono. E como já era maio, com sol até às 22hs, só fomos perceber lá pelas 23hs! Ligando na recepção, descobrimos que só o dono que sabia desligar! Acabou que desistimos e fomos tentar dormir assim mesmo, até que umas 2 hs depois, quase de madrugada apareceu o cara pra desligar. Quem diria que o quarto normal seria melhor que o superior!? hahahha

E tirando essa confusão com a luz da sacada, toda a estadia foi ótima e eu ainda pretendo voltar lá! Ah e na hora de pagar, eles ainda nos deram um descontinho pelo simples fato do David se chamar David, mesmo nome do hotel!

– Quanto tempo ficar em Florença

Por ser nossa lua de mel, nós fizemos tudo com calma. Acordando tarde, voltando cedo, parando quando queríamos e não fazendo mais nada. E mesmo assim 2 dias e meio na cidade foram o suficiente pra vermos tudo que queríamos. Tiramos um outro dia inteiro para visitar um pouco da região da Toscana, incluindo cidades como Monteriggioni e San Giminianno, que vão ser temas do próximo post.

Então, eu diria que uns 2 dias inteiros só na cidade são o suficiente e a cidade é tão linda que um dia fica muito corrido (até pq tem fila pra tudo!) e vai ser um desperdício, já que é uma cidade pra relaxar e sentir a vibe, ao invés de cortar pontos turísticos da lista. Se puder ficar mais dias, melhor ainda, já que Florença pode ser uma ótima base pra explorar a Toscana. A região é cheia de cidadezinhas lindas, como Siena, San Giminianno, Pisa, Arezzo e muitas outras, que podem tanto ser só um bate-e-volta de Florença, como vc podem virar uma viagem maior pela região.

O que NÃO fazer em Veneza

Veneza dispensa maiores apresentações. Quem nunca ouviu falar dos encantadores canais de Veneza, cidade de onde saiu o famoso explorador Marco Polo, bem como do mulherengo Casanova. Veneza é tão famosa que basta uma cidade ter canais que já é chamada de “Veneza do Norte”, “Veneza do país X”, “Veneza da Ásia”, ou seja lá Veneza de onde. Mas a verdade é que a verdadeira Veneza a gente só vê em Veneza mesmo!

E crescemos vendo imagens de Veneza, ou lendo zilhares de posts de “dicas imperdíveis” de Veneza, e em todos só se lemos o quanto Veneza é “linda”, “deslumbrante”, “romântica”, “incomparável”, dentre outros adjetivos semelhantes. E acho que foi por isso mesmo que saí de lá decepcionada.

Não que a cidade não seja bonita. Realmente é! No entanto, não é a cidade mais fácil de se visitar. E pode ser um perrengue danado, o que foi mesmo no nosso caso. Somando-se ao fato que era nossa lua-de-mel, realmente o romantismo prometido ficou de escanteio. Então esse post vai ser de dicas do que NÃO fazer pra sua viagem não ser uma furada total!

Então, pra dar contexto, essa viagem eu fiz já há 6 anos. Era nossa lua-de-mel e resolvemos fazer um cruzeiro que saía de Veneza e partia para a Grécia (e que depois eu vou escrever direitinho pq o cruzeiro foi mesmo ótimo!). O desembarque também era por Veneza e do porto mesmo já seguimos para a Toscana.

Pra dar mais contexto ainda, ainda estávamos pagando o casamento, pagando o cruzeiro, pagando mudança, pagando a viagem pra Europa numa época em que o David estava numa fase mais inicial-intermediária da carreira e eu professora da rede pública brasileira que tinha acabado de pedir demissão, e pagando tudo em real brasileiro. Resumo da ópera: foi uma viagem bem budget! O que não combina naaada com Veneza!

Ponte di Rialto e Grand Canal

Estamos falando de uma cidade em que um café ou uma coca-cola custam 10 euros, um almoço uns 100 euros, uma espelunca pra dormir caindo aos pedaços uns 200 euros e um passeio de gondola de 30minutos não sai por menos de 80 euros. Foi por isso mesmo que nos hospedamos em Mestre, uma cidade ao lado a apenas 15 minutos, com hotéis e restaurantes bons com preços normais. E mais pro fim do post eu vou falar do hotel em si.

Chegamos em Mestre já no fim da tarde pq nosso vôo atrasou e acabamos ficando por lá mesmo. Jantamos em um restaurante maravilhoso, recomendado pelo nosso hotel, bem escondidinho e que custou apenas 40 euros. No outro dia, tomamos café e fomos cedo para Veneza.

Pegamos o trem até a Estação Venezia Santa Lucia (pronuncia-se Santa Lutchia). Seja de Mestre, ou de qualquer outra cidade, essa estação é a entrada pra quem vai pra Veneza de trem. E saindo da estação você já encontra os Vaporettos, que são o “transporte público” de Veneza. São barcos/balsas que levam os passageiros de um lado para o outro. Afinal, Veneza é um conjunto de pequenas ilhotas onde não há qualquer acesso para carros.

Estação Santa Lucia e Grand Canal

O passe do Vaporetto custa 7,50 euros e tem 75 minutos de validade. Mas vale mais a pena pegar a opção de 24 horas que sai por 20 euros, ou de 48 horas que sai por 30 euros. Basta validar o ticket antes de entrar e pronto. Vc pode usar todas as linhas do Vaporetto, incluindo as que vão para Murano, Burano e Torcello. Comprado o passe é só embarcar em um que esteja indo para Rialto ou Piazza San Marco. E dali vc já pode fazer tudo à pé. Aliás, mesmo da estação Santa Lúcia dá pra ir à pé pra Rialto e Piazza San Marco, mas esteja preparado pra uma caminhada de uns 30 minutos.

O Vaporetto que pegamos estava taaaao absurdamente lotado que fomos em pé exprimidos, depois entrar levados pela horda, feito metrô da Sé às 5hs da tarde! Tanto que um senhor idoso na nossa frente tinha se perdido da esposa, que ficou pra trás na hora de embarcar. Nem ele conseguiu sair, e nem ela entrar. Uma confusão danada!

Nós fomos direto pra Piazza San Marco (Praça de São Marcos), que é a praça principal de Veneza. Essa praça que normalmente já é cheia de turistas e pombos, estava particularmente lotada no dia que fomos. Mais tarde teria um evento na praça e toda a estrutura estava sendo montada ao longo de toda praça, sobrando apenas um corredor pros turistas, pombos e muitos vendedores.

É ali mesmo na praça que fica a Basilica di San Marco (Basílica de São Marcos). Construída a partir do século XI, com cúpulas bizantinas e muitos mosaicos, a Basílica é com certeza um dos maiores símbolos de Veneza. Foi originalmente construída para abrigar os restos mortais do apóstolo Marcos, trazidos do Egito. Mais tarde, muitas relíquias foram saqueadas de Constantinopla (hoje Istambul) na época das cruzadas, incluindo artefatos que vieram da Mesquita Hagia Sophia, e trazidas para a Basílica. Por isso, apesar da igreja ter sido construída em estilo renascentista, tem um exotismo oriental.

Infelizmente quando fomos a fachada estava sendo reformada. E a fila para entrar era taaaao grande que resolvemos voltar mais tarde, mas acabamos desistindo e só vimos por fora.

Em frente à Basílica fica a Campanile (Torre do Sino), e é possível subir pra ver a vista de Veneza. O atual campanário tem 99 metros e é uma reconstrução de 1912, visto que a torre histórica desabou.

Bem ali ao lado, fica o Palazzo Ducale (Palácio Ducal). Este grande palácio gótico foi a residência oficial do Doge (Duque) desde o século IX e a sede do governo da República de Veneza por quase sete séculos. E é outro ícone da cidade, que também está sempre apinhado de gente.

E não muito longe da praça também já estão os outros pontos turísticos, como a famosa Ponte di Rialto. Construída em 1173, a ponte passou por inúmeras reformas e é outro símbolo de Veneza. Ela fica bem no Grand Canal, possivelmente o canal mais fotografado de todo o planeta! Infelizmente, a ponte também em manutenção quando fomos. Basicamente, as atrações mais importantes estavam todas em manutenção quando fomos! hahaha

Ainda assim, nossas desventuras em série nem tinham começado! hahahah Tudo teria ido melhor se simplesmente tivéssemos continuando andando a esmo e explorando por conta os canais e Veneza. Mas foi aí que caímos na maior cilada EVER! Como ainda não éramos gatos escaldados de viagem, acabamos caindo numa lorota e comprando um passeio “Veneza em um dia”, que prometia um tour de manhã por Burano, Torcello e Murano, seguido de um walking tour a tarde e terminando com o passeio de gôndola no fim da tarde. E, claro, o atrativo é que com o “pacote” o passeio de gôndola saíria com desconto.

Então depois de comprar isso, fomos pra doca pegar o barco pra ir pra Burano, Torcello e Murano, passando cerca de 50 minutos em cada parada. E poderíamos muito bem ter feito isso por conta, simplesmente usando o Vaporetto, ainda que eu não negue que o tour otimizou um pouquiiinho o tempo por não termos que esperar o Vaporetto passar. Mas se vc já pegou o passe pra usar o Vaporetto o dia todo, esses tours que são vendidos em toda esquina, são completamente dispensáveis. Até porque não é um tour tradicional com guia, mas simplesmente um sistema de transporte.

A primeira parada foi em Murano. E é nessa ilha que são feitos os tradicionais cristais de Murano desde o século XIII. E são várias as fábricas e lojas vendendo cristais. Basicamente, o tour nos levava pra um, onde tinha uma breve demonstração de como o cristal é feito, seguido por tempo para “compras”.

Depois paramos em Burano. A ilha de Burano é bem fofinha, com casinhas coloridas, parecendo uma “mini-Veneza”. Pra mim, foi a que mais valeu a pena das três ilhas!

Burano também é conhecida pelos trabalhos de rendas feitas à mão. Atualmente, porém, grande parte das rendas vendidas nas lojas locais é importada. Então preste atenção se quiser comprar. Em algumas das lojas, há senhorinhas ainda bordando, ou algumas bordando na porta de casa. E foi diretamente com uma delas que eu comprei alguns bordados.

Por fim, seguimos para Torcello. A ilha de Torcello foi a primeira a ser habitada na região e abriga a Basilica di Santa Maria Assunta, a igreja mais antiga de Veneto (região da Veneza). Posteriormente, a ilha foi abandonada por conta de um surto de malária e hoje conta com cerca de apenas 80 moradores. Basicamente, o tour te dá o tempo de ir até a igreja e voltar e aí já é hora de voltar pra Veneza. Mas pra ser justa, realmente a ilha não tem muita coisa fora a igreja.

De volta, era hora de almoçar e mesmo com os preços absurdos de Veneza, todos os lugares lotados. Sem muita escolha e com fome, paramos em um lugar qualquer pra comer mal pagando muito mais do que deveríamos, já que logo tínhamos o walking tour por Veneza.

Com almoço péssimo garantido, começamos o walking tour na chuva. Choveu durante o tour inteiro! E vc já viu um walking tour que não passa pelas principais atrações da cidade!? Pois é! Ficamos de ruela em ruela, andando de um lado pro outro na chuva, durante quase 2 horas, sem sequer passar pela Piazza San Marco, pelas pontes ou qualquer menção aos pontos principais da cidade! A parte do Palazzo Contarini del Bovolo, não vimos nenhuma atração durante o tour todo!

E depois fomos para uma filha gigante pro passeio de gôndola. E foi aí que descobrimos que a gôndola seria compartilhada por 6 pessoas! Chegando na nossa vez de entrar, deveríamos ter sido os primeiros, mas chegou um grupo de 4 pessoas cortando a filha junto com uma empresa (não sei se do mesmo operador que o nosso), que entraram na nossa frente e, óbvio, pegaram os melhores lugares. Perguntamos se poderíamos pegar a próxima gôndola, ou irmos juntos, e nos responderam “you don’t choose” (“vc não escolhe”). Assim, eu fui em um canto da gondola e o David separado na outra ponta sozinha, completamente separados em plena lua-de-mel. Naaada romântico! Pra piorar basicamente demos uma volta no quarteirão de gondola! hahahah Eram tantas e taao apertadas onde estávamos, que ficamos mais parados do que “navegando de gondola” o tempo todo!

Pior ainda, no fim da conta pagamos quase que o mesmo por uma gondola só pra nós 2, pra não escolher o trajeto e nem ficarmos juntos. Acho que o David não perdoou até hoje por ter insistido em comprar esse pacotão maravilha em plena lua-de-mel! hahahah

Depois disso, já no fim de um longo dia, e com a sensação de que Veneza era o lugar mais pega-turista da Terra, eu só queria voltar pro hotel em Mestre, tomar um banho, e ter uma boa refeição em algum bom restaurante por lá!

No outro dia choveu mais de manhã, e também tivemos estresse pra desbloquear nossos cartões com nosso banco no Brasil (que tínhamos já desbloqueado antes de viajar e antes de existir atendimento online), de forma que ficamos no hotel até a hora do check out. Depois ficou tarde pra ir pra Veneza, ainda mais que logo já seria hora de embarcar no cruzeiro.

A experiência como um todo foi tão ruim, que eu não quis saber de voltar a Veneza, nem qdo fui pra Verona, que é ali do lado, em outra viagem. Maaas, quem sabe, hoje em dia, gato escaldado de viagem e que não cai mais em armadilhas pra turistas desavisados, eu até fosse aproveitar mais. Até porque já iria com as expectativas alinhadas com a realidade do local: que não importa quando vai ser muito cheio, muito caro e muito atribulado.

Então, a maior dica desse post é: faça tudo por conta, até porque td está meio que concentrado na mesma ilhota. Cuidado com a a gondola, que pode ser a maior furada! E não espere encontrar uma cidade tranquila e romântica, mas uma multidão de turistas em ruelas apertadas! Então, apenas relaxe.

Achou 80 euros muito caro pra um passeio de gondola de 30 minutos, dos quais um bom tempo é só ela parada disputando espaço com outras gondolas!? Não faça. O mais legal é andar pelos canais.

Não caia em walking tour. Vá andando no seu ritmo e aproveitando a cidade. Apesar de serem 118 ilhas, a verdade é que tudo fica bem concentradinho em uma ou duas. E por mais que vc ande pra lá e pra cá, não tem muito como se perder e vai cair nos mesmos lugares.

Também fuja dos tours pra Burano, Murano e Torcello. Use seu passe e vá por conta. Se o tempo estiver curto, não é o mais essencial. E se tiver que escolher uma, Burano é a mais bonitinha.

Onde se hospedar

Nós nos hospedamos na cidade de mestre Mestre, já que quando pesquisei uma espelunca caindo aos pedaços ficava em média uns 150-200 euros a diária. Daí vi que Mestre tinha muitas opções de hotéis e restaurantes, com preços amigos do bolso. Além disso, eu não queria ser um daqueles turistas perdidos carregando malas naquelas vielas de Veneza tentando achar o hotel certo, escadas acima e abaixo, disputando espaço no Vaporetto. Então, pra mim, Mestre parecia ter o melhor custo-benefício.

Mestre fica a 10 minutos de trem de Veneza e tem uma grande frequência de trens. Basta comprar o bilhete na máquina e pegar o próximo que estiver partindo. Cada bilhete custa 1,30.

Nós ficamos no Hotel Villa Constanza, a apenas 5 minutos a pé da estação. E o hotel tinha tudo o que precisávamos ali: boa localização, bonitinho e barato.

Trier: a cidade mais antiga da Alemanha

Trier é uma cidade quase que desconhecida para os turistas, sendo mais conhecida apenas pelos residentes de Luxemburgo e moradores da região do Moselle. Mas não deveria ser! Além de ser a cidade mais antiga da Alemanha, essa cidade da região do Moselle abriga não só monumentos romanos e medievais que ainda estão de pé, como também um centro histórico muito bem preservado!

Trier foi fundada pelo povo celta no século IV a.C, tendo sido conquistada pelos romanos no século I d.C. No século IV d.C., Trier já era uma das maiores cidades do Império Romano e, por isso mesmo, capital da província. Assim, contando com mais de 2mil anos de história, e um centro histórico bem preservado (apesar dos bombardeios da Segunda Guerra Mundial), Trier não recebe o destaque que merece e é um desses cantos que poucos já ouviram falar. Assim, para quem estiver por Luxemburgo (que é outra jóia esquecida), um bate-e-volta até Trier vale demais a pena e dá um roteiro bem redondinho.

A forma mais comum é chegar pela estação central de trem (Trier Hauptbahnhof). O centro histórico estará a cerca de 10 minutos à pé. Basta pegar a rua/avenida Theodor Heuss Alle e em poucos minutos já estará na Porta Nigra. Por ser uma rua toda arborizada, o caminho em si já é super bonito, ainda mais se for primavera ou outono.

A Porta Nigra foi construída pelos romanos por volta do ano 170 d.C. e é o maior monumento ainda romano de pé na Alemanha. No período romano, 4 portões davam acesso à cidade, tendo apenas restado esse. Com o tempo, ainda no início da Idade Média, a cor das pedras escureceram e daí veio em latim do portão da cidade.

A Porta Nigra fica na Praça da Porta Nigra (Porta-Nigra-Platz). Ali na praça já estará o centro de turismo em que vc pode passar e pegar um mapa da cidade. Quase em frente tem uma estátua do Karl Marx, já que ele nasceu em Trier. E seguindo pela Praça da Porta Nigra você chega na Praça do Mercado Principal (Hauptmarket).

A Hauptmarket é a praça principal de Trier e o coração do centro histórico. Em volta estão prédios e casas centenárias, várias barraquinhas de vinho, cerveja, cachorro quente alemão, pretzel e outras comidinhas de rua. Em dezembro, é ali que acontece o Mercado de Natal, com dezenas de barraquinhas e decoração natalina.

Ali também já está a Catedral de Trier/ Catedral de São pedro (Trierer Dom/ Dom St. Peter). Essa é a igreja mais antiga de toda Alemanha, que ainda remonta aos tempos romanos quando o Imperador Constantino, tornando-se católico, mandou que a mesma fosse construída há mais de 1700 anos.

O interior da igreja é bem bonito e vale a visita. Dentro da Igreja há relíquias trazidas da época das cruzadas, sendo a principal o Manto Sagrado de Jesus Cristo, que teria sido a túnica usada por Jesus Cristo durante a crucificação. O manto fica guardado dentro de uma urna, que fica numa capela separada atrás do altar, e que só é possível ver por essa janelinha:

Atrás da Catedral está a Igreja de Nossa Senhora (Liebfrauenkirche), que foi a primeira igreja de estilo gótico construída na Alemanha. No local já havia uma igreja, também da época romana, mas que foi demolida e a gótica foi construída por cima, aproveitando-se apenas as fundações.

E nos fundos da Igreja de Nossa Senhora já fica a Aula Palatina ou Basílica de Constantino (Konstantinbasilika). Construído a mando do Imperador Constantino I, por volta do ano 310, era o Palácio do Imperador (Aula Palatina). Serviu de palácio até a Idade Média, quando foi diminuído e convertido em igreja, tornando-se mais tarde uma igreja protestante. Durante um bombardeio no fim da Segunda Guera Mundial, a igreja pegou fogo e, mesmo após a sua reforma, não foi possível restaurar as decorações no interior. Ainda assim, o exterior foi restaurado e tem uma fachada com 17 séculos de história.

E ali atrás já estará também o Electoral Palace. O Palácio serviu como residência para os arquebispos e hoje é um prédio governamental. Os jardins estão sempre abertos ao público.

Esse pode ser um bom momento para a pausa do almoço, já que já terá visto as atrações mais importantes de Trier. Próximo da Basílica de Constantino fica um dos melhores restaurantes de Trier: Restaurant Kartoffel Kiste. Eles tem todo o tipo de comida alemã, desde o Schnitzel simples aos mais elaborados possíveis, vários tipos de cerveja e até mesmo opções da própria cidade.

O prato típico de Trier é o Trierer Gefüllte, que foi o que escolhi na minha última ida lá. São bolas de batata recheadas com carne moída, gratinadas com molho de queijo. E acompanhado da cerveja da cidade.

Depois da comilança, hora de voltar ao roteiro. Você pode tentar fazer todas as opções que vou falar agora, ou escolher uma ou duas. Depende de quanto tempo vc terá e da sua disposição.

Saindo do restaurante você já estará a 3 minutos à pé da Casa do Karl Marx (Karl-Marx-Hause). A verdade é que Karl Marx apenas nasceu ali, ficou algumas semanas com seus pais e depois a família se mudou pro outro lado da cidade. Na época do regime nazista, tudo que havia de mobiliário e objetos pessoais ainda remanescentes dele e da família foi destruído.

De forma que dentro da casa não há qualquer objeto. De toda forma, vale a visita ao museu. Além da casa em si que é de 1727 e está em ótimo estado, o museu conta a história pessoal de Karl Marx, como surgiram às críticas ao capitalismo do século XIX e aos efeitos das suas ideias até hoje. Lá você também encontra cópias originais de algumas de suas obras.

A cerca de 1km da Casa do Karl Marx está a Ponte Romana (Römerbrücke). Essa ponte foi construída por cima do Rio Moselle no século II pelos romanos. Ainda hoje está em pleno funcionamento, inclusive por carros.

Ali perto também estará o Barbarathermen, que são ruínas de antigos banhos romanos. E mais à frente também tem o Kaiserthermen, que também são outras ruínas de termas romanas. Das duas, a Kaiserthermen está mais bem conservada.

Mas, pra mim, o mais interessante é o Anfiteatro (Trier Amphitheater). Também construído no século II, esse anfiteatro romano comportava cerca de 20mil pessoas. Como toda arena daquela época, os espetáculos incluíam eventos de gladiadores e shows de animais.

Dá pra visitar o subsolo do anfiteatro. Você sobe e desce pelas mesmas escadas que gladiadores saíam. E era ali nos porões que os prisioneiros condenados à morte esperavam ao lado de animais famintos pelo espetáculo final.

E dali do anfiteatro até a estação de trem é quase que uma caminhada reta. Então você pode dar o dia por encerrado ou voltar pro centro histórico e fazer umas comprinhas. Trier é ótima pra compras, com preços melhores que Bélgica, França e, claro, Luxemburgo. E as opções vão desde marcas populares alemãs até marcas de luxo.

Outra opção é fazer uma pausa pra um café e experimentar algum doce típico como o Apple strudel (Apfelstrudel). Uma boa pedida é o Café 1900, bem no centro histórico. Eles sempre têm uma boa variedade de tortas. O único detalhe é que ninguém fala inglês por lá.

Uma outra opção para a tarde é fazer o passeio de barco. Você pode comprar no centro de informações turísticas. Os barcos fazem um tour pelo Moselle, passando pelas regiões produtoras de vinho da Alemanha e Luxemburgo. Pode ser bem legal numa tarde de verão ou primavera.

Trier na prática

Estando em Luxemburgo é muito fácil ir a Trier. Considerando que moro a 40 minutos de Trier, sempre vou de carro. Há vários estacionamentos no centro e, quase sempre, há vagas.

Ir de trem também é fácil. Basta pegar o trem da estação central de Luxemburgo com destino à Trier. Há trens de hora em hora e o trajeto dura 1hora. As passagens custam 9 euros por pessoa e dá pra comprar direto na máquina. Não é preciso validar o bilhete.