Nosso último dia em Lisboa foi em Belém. Como voaríamos mais para o fim da tarde, fez sentido deixarmos esse pedaço de Lisboa mais afastado do centro para o dia do fim da viagem por Portugal. E olha, sem dúvidas, foi o pedaço de Lisboa que eu mais gostei!
Belém fica um pouco mais afastada do centro da cidade, a cerca de 7 km. Tanto que Belém já foi uma freguesia autônoma no passado, sendo posteriormente incorporada à Lisboa, com o crescimento de ambas. É acessível pelo elétrico (bondinho), ônibus e (acho) que por metrô também. Como estávamos em 4 e não queríamos perder tempo, fomos de táxi mesmo – e a corrida custou apenas 8 euros!
Descemos do táxi no Mosteiro dos Jerônimos e já ficamos maravilhados com sua extensa fachada de mais de 300m. A construção desse imenso edifício teve início no ano de 1501, por ordem de D. Manuel I em razão do regresso de Vasco da Gama da Índia. A própria construção foi custeada pelo rei com os proventos obtidos pelas prósperas expedições comerciais ao Oriente.



Todavia, a correlação entre a construção do Mosteiro e as grandes navegações não pararam apenas em seu custeio. Dentre as principais funções dos monges que foram escolhidos para ali habitar, estava a de rezar pela alma do rei e dos navegadores que se dispunham a desbravar o mundo através dos mares. Ali também navegadores, a exemplo do próprio Vasco da Gama, passaram sua última noite antes de embarcarem em suas viagens.
Além disso, as esposas e mães dos navegadores também rezavam no Mosteiro pelo retorno de seus entes queridos. Mesmo a localização geográfica está relacionado às Grandes Navegações, vez que se localiza à entrada do porto da capital e foi, desde muito cedo, reconhecido como um dos maiores símbolos da nação. Enfim, tudo nesse grande Mosteiro remete à epopeia dos Descobrimentos.
Por isso mesmo, Vasco da Gama está enterrado na Igreja do Mosteiro, pois esse se destacou por ter navegado de Portugal para a Índia, na mais longa viagem até então realizada. Bem como está ali Camões, um dos maiores poetas do Ocidente e que eternizou toda essa saga portuguesa em Os Lusíadas.
Saímos de lá e logo em frente está o Jardim da Praça do Império. O local que um dia já foi praia, tornou-se esse bonito jardim/praça em 1940 e liga o Mosteiro dos Jerônimos ao Padrão dos Descobrimentos.

O Padrão dos Descobrimentos foi erguido na mesma época da construção da Praça do Império e presta homenagem aos desbravadores portugueses na época das grandes navegações.

Um agradável caminhada pela orla do Rio Tejo te leva para a icônica Torre de Belém. Mais um monumento construído por ordem do Rei Manuel I, mostra a transição entre o estilo arquitetônico medieval e moderno, com traços europeus, mas também com influência árabe e africana. O Brasão de Portugal esculpido na torre mostra um nacionalismo implícito, em uma época em que Portugal era uma potência e D. Manuel I era conhecido internacionalmente.
Originalmente, tinha a função de ser uma fortaleza de defesa, mas com a evolução dos meios de defesa ao longo dos séculos foi perdendo tal função, tornando-se farol, depois registro aduaneiro e até mesmo masmorra para presos políticos. O mais interessante é que era cercado por água por todos os lados, mas com a mudança natural do curso do Rio Tejo, acabou se incorporando à terra firme.


Dali retornamos todo o caminho e fomos para o momento mais aguardado: os famosos pastéis de Belém! Além de rezar, os monges que viviam no Mosteiro dos Jerônimos também manjavam da arte de cozinhar e inventaram esse doce maravilhoso. Com a Revolução Liberal, os monges foram expulsos em 1834 e numa tentativa de sobrevivência colocaram essas delícias à venda. Mesmo Lisboa sendo longe na época, cada vez mais pessoas iam lá para degustar de forma que a fama do lugar só aumentava. Iniciava-se, assim, a fabricação dos famosos pastéis de Belém, com a secreta receita dos monges. Dizem que a receita ainda se mantém a mesma e ainda é secreta, de forma que apenas 3 pessoas no mundo a têm. Essas 3 pessoas trabalham lá obviamente, e tem um contrato de sigilo. Os ingredientes também são os mesmos daquela época.
Iniciamos com alguns salgadinhos: empadas, coxinhas, croquetes, etc, acompanhados de um delicioso moscatel (também típico). Depois nos empanturramos de pastéis de nata e ainda pedimos para levar mais uma leva. Felizes e contentes, era hora de seguir para o hotel, pegar nossas malas e rumar para o aeroporto com pastéis de nata como bagagem de mão! Ah… que alegria! hahahah


Dicas:
1. O primeiro local que visitamos foi o Mosteiro dos Jerônimos, o que não fez sentido nenhum. Em todos os lugares que li na internet as pessoas começam pelo Mosteiro dos Jerônimos e vão andando até a Torre de Belém. Só que ninguém menciona que os famosos pastéis de Belém são quase que ao lado do Mosteiro. Logo, para quem assim como eu, preferir turistar bastante primeiro e depois se empanturrar de pastéis, faz muito mais sentido começar pela Torre e terminar no Mosteiro. Ou seja, melhor fazer o trajeto inverso do que é sempre sugerido.
2. Há sempre uma fila gigante de pessoas comprando para levar. O local parece pequeno, pois há apenas uma portinha. O detalhe é que essa porta dá acesso a um grande pátio interno com 400 mesas. O serviço é ágil. Então, não se preocupe que sem pastéis você não fica ainda que não disponha de tanto tempo assim. Nos pareceu que pedir na mesa talvez seja até mais rápido e conveniente do que para levar, já que não encaramos fila nenhuma.
No nosso segundo dia em Portugal, planejamos um bate-e-volta a partir de Lisboa. Queríamos conhecer a região de Sintra, Cascais, Cabo da Roca, etc. Seria impossível fazer tudo que queríamos em um só dia por conta própria, pois simplesmente não haveria tempo hábil. Todos os tours que encontrei também eram bem “amarrados” e parecidos. Foi assim que resolvi que seria melhor um tour particular, podendo escolher o que melhor nos interessasse, sem paradas comerciais, esperas e sem perdas de tempo. Definido o roteiro e chegado o dia, saímos antes das 9 do hotel em direção à Sintra.






