Metz

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Metz é a capital da região de Lorraine e fica na região do Rio Moselle. Apesar de desconhecida para a maioria dos turistas e de não ter tanto o que fazer é uma ótima opção de bate-e-volta para quem está em Luxemburgo (como nós), ou mesmo de Paris. Pode-se conhecer a cidade em apenas algumas horas e, ainda assim, já será um prato cheio para quem se amarra em história, como eu.

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A cidade é muito antiga. Os celtas já habitavam o lugar por volta do século IV a.C. Após a dominação romana, torna-se uma importante cidade galo-romana. Por isso, essa região da Antiga Galia dispunha de termas, aquedutos, grandes construções, mas que foram todas incendiadas em meados do século V.

Durante a Idade Média, foi capital da Austrásia, capital religiosa na Era Carolíngia e integrou o Império Romano Germânico. Por isso mesmo, dá para notar a influência arquitetônica romana e alemã. Depois tornou-se uma república independente e vivenciou um rico período.

Em meados do século XVI, a cidade de herança cultural romana, aceitou a proteção francesa contra as tentativas de invasão, abrindo mão de sua independência. Todavia, a cidade acabou sendo anexada pela Alemanha em 1871 e depois novamente em 1940.

No período em que Metz foi anexada à Alemanha, as antigas muralhas e vários outros monumentos antigos da cidade antiga foram derrubados infelizmente para dar espaço a uma Metz mais moderna que surgia.

O principal ponto turístico parece ser a Catedral de Saint-Etienne, que tem 42m de altura e é uma das igrejas góticas mais altas da Europa. Além disso, tem 6.500 m² de vitrais, o que lhe rendeu a alcunha de Lanterna do Bom Deus. Tem estilo atípico, pois foi construída entre os séculos XIII e XVIII a partir de outras três igrejas já ali existentes anteriormente.

Outra igreja bem conhecida é a protestante Temple Neuf. A inspiração para construção dessa igreja veio das catedrais renanas e, em razão disso, aparenta ser medieval quando na verdade foi construída no século XX. No entanto, sua principal particularidade está em situar-se numa pequena ilha ao meio do Rio Moselle que corta a cidade.

E falando no Rio Moselle, é impossível não lembrar de Estrasburgo por exemplo, já que também tem inúmeras construções junto ao rio, o que é uma delícia para uma caminhada.

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À margem do rio também está a Ópera-Teatro. Sua construção teve início em 1738 e é a mais antiga ópera ainda em funcionamento da França.

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Outro ponto turístico é a Praça da República que é bem bonita, tendo modernas fontes de água. Perto dela estão vários prédios históricos e que foram convertidos em prédios governamentais.

Próximo à Praça da República também está um bonito parque. Aliás, áreas verdes é o que não falta em Metz, pois há diversos parques na cidade. Nós passamos mais de uma hora andando pelos Jardins Jean-Marie.

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Ainda, há o Centro Pompidou, um museu de coleções galo-romanas e medievais e a Porta dos Alemães. Esse portal é um dos resquícios da muralha medieval. Pretendíamos caminhar até lá, mas acabamos desistindo, pois o tempo virou para chuva e também estávamos um pouco cansados.

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Dicas Práticas

1.Onde comer

O prato típico da região é o quiche. Entretanto, estávamos afim mesmo era de um bom crepe. Afinal, estávamos na França. Escolhemos a Creperia St Malo e foi uma ótima escolha. Crepes grandes, deliciosos e dos mais variados sabores. Além disso, eles servem cervejas e vinhos da região. O atendimento foi rápido, apesar do lugar estar lotado.

2. Como ir

Fomos e voltamos de carro a partir de Luxemburgo em 50 min. Estacionamos o carro em um shopping próximo à Praça da República.

Outra opção é o trem TGV que conecta ambas cidades em também 50 min. O valor da passagem ida e volta é 21 euros e não é necessário comprar com antecedência.

Para quem está em Paris, o TGV leva 1h20m e as passagens podem ser compradas antecipadamente pela internet.

Hotel Croatia Cavtat

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Ficamos hospedados no Hotel Croatia Cavtat. E gostamos tanto, mas tanto, que obviamente ele merecia um post só para ele!

Normalmente, nos hospedamos em hotéis mais econômicos, já que usamos o hotel apenas para dormir, tomar banho e guardar malas. Então, geralmente, optamos por hospedagens mais baratas em prol de conhecer uma ou duas cidades, ou um dois países a mais. Via de regra, são locais limpos (quase sempre), bem localizados, mas com nível de conforto baixo.

Eu já contei que cogitei uma outra viagem de uns 10 dias que contemplasse Zagreb (para conhecer os famosos Lagos Plitvice), Split e Sarajevo (capital da Bósnia) ou combinar com a Eslovênia. Acontece que sempre trocamos conforto por conhecer mais um cantinho do mapa, ainda que signifique hotéis mais econômicos, mais ônibus, trens, vôos e cansaço. No caso da Croácia e países vizinhos, o deslocamento é por ônibus em trajetos que levam horas.

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No entanto, ficamos pensando que era nosso aniversário de  5 anos juntos e 2 anos de casamento e que seria legal fazer uma viagem tranquila. Além disso, tivemos alguns meses atarefados e estávamos a fim de descansar mesmo.  Definido isso, escolha do hotel teria que ser a dedo!

Após várias buscas pelo Booking e Expedia, encontrei o Hotel Croácia Cavtat, que prometia ser tudo o que queríamos! Um resort 5 estrelas numa península bem em frente ao mar, localizado na pacata vila de Cavtat.

Para completar, ainda apareceu uma promoção e a diária saiu por 150 euros em regime de meia-pensão (café da manhã e jantar inclusos) no quarto superior com varanda! Apenas um pouco a mais do que pagaríamos para ficar na baixa temporada em Lapad em um hotel 3 estrelas (região costeira de Dubrovnik) ou na cidade antiga de Dubrovnik em um bed and breakfast. Reservei assim que vi essa promoção, com meeeeses de antencedência.

Chegando lá o hotel era tudo que o site promovia e muito mais. O hotel toma uma encosta inteira de Cavtat. O resort é um grande complexo bem em frente ao lindo Mar Adriático. A rede Adriatic Luxury Hotels também tem outros hotéis do mesmo naipe em outras regiões da Croácia.

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Os quartos eram grandes, confortáveis, limpos. Nada de ficar calculando qual o melhor lugar para alocar a mala sem que ela atrapalhe o caminho ao ficar aberta! hahahah

Quando chegamos nos colocaram em um quarto que era anexado a outro. Por ser uma porta e não uma parede, assim que entramos percebemos que dava para ouvir tudo do outro quarto. Pedimos a troca e nos deram um outro quarto com uma vista ainda melhor!

O wi-fi do quarto pegava super bem e tinha uma conexão bem rápida, o que é raro em hóteis. Por termos escolhido o quarto superior com varanda, ao final da tarde contemplávamos papeando um pôr-do-sol espetacular, sentados na varanda.

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Aliás, de todo o hotel pode-se ficar apenas admirando a natureza. Há inúmeros caminhos para caminhada em meio à arvores e ciprestes, que sempre dão em alguma vista para o mar. O hotel é ótimo para só relaxar e ir curtindo a paisagem.

O próprio café da manhã tem a opção de ser servido no restaurante interior ou no imenso terraço que dá essa bela vista para a vila de Cavtat. Não bastasse isso, o café da manhã é realmente muito farto e com opções para todos os paladares. Idem o jantar.

Além disso, o resort conta com piscina externa e interna e com uma praia particular. Sempre havia um funcionário solícito por perto para ajudar com qualquer coisa que fosse necessário.

A água do mar é tão limpa, tão limpa, que acabamos por ver algumas vezes cardumes inteiros nadando por ali. Infelizmente, por ser início de maio, a água do mar estava muito fria. Por isso mesmo, entramos foi na piscina interna mesmo, que mesmo não sendo tão bem aquecida assim, era melhor que as outras opções.

Passamos uma semana nesse resort e, desse período, 2 dias e meio usamos para só aproveitar o hotel mesmo. Tomar sol na praia, entrar na piscina, passear por ali e em Cavtat.

Nossa, e como aproveitamos! O hotel acabou sendo parte fundamental da nossa viagem e meio que fazendo o destino muito melhor!

Muita gente não fica em Cavtat por causa da distância até Dubrovnik, o que não faz muito sentido. De Cavtat há ônibus que em 30min percorrem a distância entre as duas cidades, ou barcos que fazem o trajeto em 40min. Fizemos o percurso das duas formas e em ambas a paisagem por si só já valeu o trajeto. A frequência dos meios de transporte é bem farta e com preços acessíveis.

Para quem opta por ficar em Lapad, são 15 a 20 min de ônibus até o centro velho e nem achei a região legal quando passei por lá. E para quem opta por ficar dentro da cidade velha, fica no meio daquele alvoroço de gente, subindo e descendo escadaria numa cidade medieval (inclusive com malas!).

Então, realmente, pelo menos para nós Cavtat foi a melhor escolha possível. Pagamos pouco por tudo que recebemos e ainda ficamos em um lugar super tranquilo depois de um dia agitado. E depois de um dia cansativo nada melhor do que comer no próprio hotel super bem do que ter que ainda sair para isso.

Enfim, Hotel Croatia Cavtat fez nossa viagem! Hoje, quando penso na viagem da Croácia, instantaneamente também me lembro do hotel, com seu magnífico pôr-do-sol, sua culinária e toda a exuberância do Mar Adriático bem ali.

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Conhecendo Montenegro em um dia

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Montenegro é um pequeno país situado nos Balcãs. Desde o Império Otomano era considerado um principado autônomo. Contudo, ao fim da 2ª Guerra Mundial, Montenegro passou a integrar a Iugoslávia. Com o advento da fragmentação da Ex-Iuguslávia, a população optou por continuar unida à Sérvia (antiga Sérvia e Montenegro). Até que em 2006 um novo referendo foi feito e, dessa vez, o país optou pela independência. Hoje o país está em pré-negociação para integrar a união europeia.

Na nossa viagem para Croácia, estávamos hospedados em Cavtat, que fica a meia hora da fronteira com Montenegro. Então, claro que não poderíamos deixar de conhecer mais um país! Nossa intenção era conhecer Kotor, mas acabamos também conhecendo Perast e Budva.

Saímos por volta de 9hs da manhã e meia hora depois já estávamos na fronteira, onde demoramos 30min para passar por causa da fila. Cerca de 45min-1h depois chegamos na nossa primeira parada: a cidade de Perast.

 

  • Perast

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Perast é uma cidade medieval bem pequenininha e seu principal atrativo é a pequena ilha que abriga a igreja de Nossa Senhora. A pequena cidade já faz parte da Baía de Kotor e é banhada pelo Adriático. Há diversos barcos que levam turistas até a pequena ilha a cada 10 min por 5 euros. Pegamos o barco, andamos pela ilha, que realmente é bonitinha. Em 20 min já havíamos visto tudo.

 

Voltamos para a cidade, demos uma andada pra lá e pra cá em 10 min e vimos que era só aquilo mesmo. Ou seja, em 30 min é possível ver tudo, já que não tem muito o que se ver. Vale a pena a parada para dar uma esticada nas pernas e tirar algumas fotos, mas é isso.

 

  • Kotor

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Principal motivo de irmos até Montenegro, Kotor é a capital da Baía de Kotor. A cidade tem sido habitada desde os tempos da Roma Antiga. Assim como Dubrovnik, já fez parte da República de Veneza e, por isso mesmo, é possível ver toda a influência da arquitetura italiana nessa cidade medieval. É circundada por uma muralha muito bem preservada e também por essa razão, a cidade antiga de Kotor foi incluída como Patrimônio Mundial da Unesco.

Além das muralhas, serviam como proteção natural, as grandes montanhas verdejantes, já que Kotor encontra-se numa encosta. Ademais, a região é conhecida pelos seus fiordes, que são os únicos do Mediterrâneo. Somando-se esses fatores (cidade medieval fortificada, montanhas e  fiordes) fica fácil entender porque Kotor é a cidade mais visitada de Montenegro. Vários turistas vêm de Dubrovnik e também tantos outros chegam ali através de grandes navios de cruzeiro que atracam todos os dias.

Nosso plano era ficar só por Kotor e passar a tarde ali. Budva não estava nos nossos planos. Acontece que em uma hora já havíamos visto tudo e não estávamos muito a fim de andar as muralhas da cidade antiga (o que também levaria apenas 1h). Foi assim que decidimos rumar para Budva.

 

  • Budva

Como disse, Budva sequer estava nos nossos planos e digo logo de cara: foi a cidade que mais gostamos em Montenegro!

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Eu havia lido em vaaaarias avaliações de que a cidade era uma perda de tempo, que só tinha uma praia sem graça, que para quem foi de excursão foi muito chato já que não havia tempo suficiente para Kotor e blá blá blá… Mas como não tínhamos mais nada para ver em Kotor e ainda tínhamos bastante tempo, Budva entrou no roteiro. Ainda bem!

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A cidade tem sido habitada desde o séc. VI a. C. Já foi disputada por gregos e romanos, já foi também do Império Otomano e da República de Veneza. Então, assim como Kotor, também tem uma cidade antiga medieval. Achamos essa mais bonitinha e mais completa. Isso porque, a cidade se assemelha um pouco mais a Dubrovnik por ter o Mar Adriático aos pé da cidade antiga, o que torna tudo muito mais bonito.

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Almoçamos em um dos restaurantes em frente à praia. Depois perambulamos um pouco pelo centro antigo e ficamos admirando o Mar Adriático se arrebentar em frente às fortificações da cidade. É ou não é para fazer toda a diferença em um dia!? E foi por isso mesma que Budva foi eleita a cidade que mais gostamos!

 

 

  • Dicas práticas

Fomos de excursão mesmo. Como não queríamos conhecer Budva por causa de tudo de negativo que lemos, a concierge do hotel (que também achava que Budva não tinha nada) nos recomendou uma excursão em uma van/micro-ônibus que iria só para Kotor. Infelizmente, não guardei o nome da agência.

Entretanto, quando estávamos no micro-ônibus, descobrimos que esse tour pequeno fazia o seguinte: iria para Perast, Kotor e Budva. Na volta, ao invés de refazer todo o caminho contornando toda a Baía, a van pega uma ferry para encurtar o trajeto. Quem quisesse poderia ficar em Kotor e depois pegaria um táxi (pago pela agência) até o local que a ferry sai. E esse era o esquema que arranjaram para nós 2.

Depois de andar por Kotor e não ter mais nada para fazer de toda forma, resolvemos ir para Budva com o restante do grupo. A guia havia dito que era melhor almoçar em Budva já que a cidade antiga é bem pequena. Assim, deixamos para almoçar em Budva, o que nos tomou um grande tempo. Em resumo, almoçamos tarde (quase 3hs da tarde) e não tivemos mais tempo para ficar nessa cidade que para nós acabou sendo a mais interessante. Então minha dica é: se for de carro, coloque Budva no roteiro se possível; se for de excursão, almoce em Kotor mesmo e aproveite mais Budva =).

Infelizmente, acabei não guardando o nome da agência, mas acho que todas seguem mais ou menos esse roteiro e nada que uma pesquisada no TripAdvisor não resolva. Para a Bósnia, optamos pela Adriatic Explore e gostamos muito.

Por fim, se você estiver em Dubrovnik e só tiver um dia livre para um day-trip, recomendo que opte por conhecer a Bósnia. As razões estão todas no post completo que fiz sobre Mostar e que você pode ler clicando aqui. E para mais dicas sobre Dubrovnik e a Croácia, acesse aqui e aqui.

 

 

 

 

 

Um dia na Bósnia: onde o Ocidente e o Oriente se encontram

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A Bósnia e Herzegovina é um dos países que se formou a partir da dissolução da Ex-Iugoslávia. Nós estivemos nesse pequeno país intrigante por um dia e foi impossível não vir a tona as recordações dos noticiários que passavam na minha infância mostrando o conflito da Bósnia. Duas décadas depois, o local permanece um caldeirão de diferentes culturas e o impacto da guerra ainda está presente. Para entender tudo isso foi preciso relembrar um pouco as aulinhas de história.

A região já foi dominada pelos sérvios, croatas, venezianos e bizantinos. Alguns séculos mais tarde, acabou sendo tomada pelo Império Otomano. Durante esse período, grande parte da população converteu-se ao Islamismo. Principal razão para isso: imunidade de impostos.  Todavia, em 1878, a Bósnia passou ao controle do Império Austro-Húngaro. Em 1914, o arquiduque austríaco Francisco Ferdinando foi assassinado em Sarajevo por um nacionalista sérvio, o que foi o estopim para a 1ª Guerra Mundial e fez com que a Bósnia fosse anexada à Sérvia. Com o fim da 2ª Guerra Mundial, a Bósnia passou a integrar a Iugoslávia.

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A derrocada do regime comunista, levou ao desmantelamento da Iugoslávia e a Bósnia tornou-se independente em 1992. Infelizmente, isso levou a uma guerra civil que resultou na morte de 200 mil pessoas. Isso porque, lembra que falei aí em cima que uma parte da população se converteu ao Islamismo!? Pois então, ainda hoje a população é bem dividida: são 3 governos, 3 religiões, 3 culturas, 3 idiomas, 3 tudo.

Hoje, 44% da população é composta por eslavos muçulmanos, seguidores do Islã. Outros, 31% são sérvios e são cristãos ortodoxos em sua maioria. Por fim, 17% são croatas, que são católicos majoritariamente. Com a guerra pelo fim da Iugoslávia, os sérvios se recusavam a se separar e aliaram-se à Sérvia, que nesse momento lutava pela continuação da Iugoslávia. Isso levou a uma guerra civil na Bósnia, entre esse três povos tão distintos. Foi só em 1995 que foi assinado um tratado de paz e, até hoje, as forças das Nações Unidas ainda estão lá para garantir o acordo.

Os retratos da guerra civil ainda estão ali: escancarados. Por onde andávamos, víamos prédios com marcas de balas a perder de conta. Sem contar que víamos bala de fuzil em tudo que é canto. De acordo com nosso guia, sem saber o que fazer com todas as balas que sobraram daquela época, hoje elas viram material para brinquedos, esculturas, souvenirs, etc.

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Hoje tem-se lá uma república presidencialista tripartida, visto que há um presidente bósnio-muçulmano, outro croata e outro sérvio, cada um ocupando o cargo por 8 meses dentro do mandato de 4 anos, de forma rotativa. O sistema legislativo e judiciário também é proporcional. Ainda, há 3 bandeiras. Tudo isso mostra como o país ainda hoje é bem dividido.

O país também está dividido em duas regiões geográficas bem distintas: a Bósnia, em que há densas florestas; e a Herzegovina, uma região mais montanhosa. E por mais lindas que as montanhas sejam, é proibido o hiking/trekking por lá, justamente porque ainda há minas explosivas do período de guerra espalhadas.

Inicialmente, meu plano era ir até Sarajevo, mas dada a escassez de transportes públicos e a complicação que seria, acabei optando por uma semana super relax na Croácia. Aí comecei a pesquisar uma cidade que fosse uma pequena Sarajevo. Ou seja, com as mesmas construções típicas, cultura e história similar. Foi aí que eu encontrei Mostar.

Mostar é tudo aquilo que pensei que a Bósnia seria. Uma cidade marcada pela guerra e pelas diferentes culturas. O centro histórico é uma graça com construções antigas típicas, mostrando onde o Ocidente e o Oriente se encontraram. O comércio é agitado e vale a pena pechinchar nas compras.

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A cada 3 quarteirões há uma mesquita, afinal, acreditava-se que a construção da mesma levaria a família patrocinadora ao paraíso. Ao meio dia, começamos a ouvir cantos e ver pessoas parando para a oração. Dobrar uma esquina, poderia significar encontrar um mercado muçulmano. Era como estar na Turquia, sem estar na Turquia.

Além da cidade antiga, o principal ponto turístico é a famosa ponte velha sobre o rio Neretva. Interessante que quando o exército alemão nazista ali chegou, enviou mensagem para Berlim perguntando se deveriam derrubar ou não a ponte. O comando denegou o pedido, afirmando que não se deve destruir os símbolos culturais de um povo.

Anos depois, veio a guerra civil e, ironicamente, a ponte foi derrubada por esse mesmo povo. Em 2004, a ponte foi reconstruída e hoje representa para a população um sinal de esperança para o futuro e de maior harmonia entre os 3 povos que formam a Bósnia.

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Depois de perambular pelas ruas e almoçarmos, não resisti a ir às compras. Bordados e tapetes lindos com preços acessíveis. Como resistir!? Voltei com alguns na mala. Como todo muçulmano, eles adoram uma negociação de preços e vão fazer qualquer negócio para que você saia com algo nas mãos. Outra coisa típica de lá, são produtos a partir de lavandas: sabonetes, sachês aromatizadores, etc. Mais uma coisa são pratos e enfeites a base do cobre, cobalto e outros metais que são abundantes na região.

Feitas as compras, era hora de seguir rumo ao nosso segundo destino: Kravice Waterfalls. Fomos na estação ideal: a primavera. Isso porque, é a época do ano em que tudo está verde e a água da cachoeira está no maior volume de água. Além disso, por ser início de maio, era baixa temporada e quase não havia ninguém por lá. Ficamos ali curtindo cerca de uma hora e foi o ponto alto do nosso day-trip, ainda mais em um dia encalorado e depois de tanto bate-perna. Esse parque verde com essa cachoeira linda fica a uns 45 minutos de Mostar e eu recomendo demais passar uma horinha ou duas por lá para relaxar, conforme a época do ano.

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Infelizmente, o tempo passou rápido demais e logo já era hora de voltar para Dubrovnik. Tanto na ida, quanto na volta, fizemos uma parada rápida em Neum para esticar as pernas. Neum é a única cidade costeira da Bósnia e fica bem no meio da Croácia! Inicialmente, pode-se pensar que tenha sido um tratado para que a Bósnia tivesse acesso ao mar, mas não, a história é muito mais antiga que isso. Na verdade, a Ragusa (atual Dubrovnik) dominava a área e a cedeu ao Império Otomano para que os ajudassem na defesa contra Veneza, a grande inimiga.

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Até hoje Neum pertence à Bósnia e foi por isso mesmo que tivemos que cruzar 6 fronteiras em um dia só! 3 na ida e 3 na volta! Primeiro, sai-se da Croácia e entra-se na Bósnia para sair da Bósnia e entrar na Croácia de novo e depois sair da Croácia para entrar na Bósnia de novo. E na volta, tudo de novo… Das 3 fronteiras, só uma foi mais demorada, tanto na ida e quanto na volta. Então, esteja preparado para ficar um bom tempo no carro (se decidir alugar) ou na van/ônibus (se for de excursão).

De acordo com a guia, a outra estrada que liga Dubrovnik e Mostar leva um pouco menos de tempo, mas é menos interessante por não ser tão bonita, já que não é beira-mar e por não haver nada entre os 2 pontos.

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Para concluir, vale dizer que a Bósnia me impressionou demais! O país foge de um passeio típico de uma cidade européia, ainda que do Leste Europeu: centro bonitinho, casinhas bonitinhas, a praça com meia dúzia de atrações em volta,… Ali, tudo é diferente. A começar pela caldeirão cultural.

Também por causa da guerra, o país é bem pobre. Então, vá com paciência e mente aberta. Há muitas crianças e mulheres pedindo esmola o tempo todo, como nunca havia visto antes, o que é de quebrar o coração. Como disse, vale a pena fazer compras por lá. Além de serem produtos artesanais lindos, de qualidade e bem baratos, é uma forma de estimular o comércio local.

Enfim, a Bósnia é um desses lugares que te traz um qualquer coisa de novo e de diferente. Já disse uma vez aqui no blog que, para mim, o importante em conhecer lugares que quase ninguém conhece nāo é preencher mais um país no mapa e um carimbo no passaporte, mas ver o quanto o mundo é diverso. Não estou dizendo para você cortar Paris ou Londres do seu roteiro. Mas sim que aquilo que não está na rota turística clássica pode ser também interessante de uma forma completamente diferente. Justamente, os lugares que ninguém vai são os que mais me surpreendem. E, com certeza, pelo menos para mim, a Bósnia foi um desses lugares.

 

Dicas práticas

  • Onde comer

Pegamos a recomendação n. 1 do TripAdvisor e almoçamos no pequeno e aconchegante Tima Irma. O local fica na rua principal entre a entrada da cidade velha e a ponte. É um pequeno restaurante, com uma dona simpática e sorridente que vai te atender como uma amiga. A comida é deliciosa e bem típica. Além de muito barata. Pagamos 13 euros para: 2 pratos gigantes maravilhosos, 2 cervejas, 1 água e queijo. E no fim ela ainda nos deu 2 cartões postais e uma cerveja de lembrança!

Site do restaurante Tima Irma: http://www.cevabdzinica-tima.com/  – Endereço: Onešćukova bb, 88000

 

  • Como ir

O transporte público é meio inviável porque há poucos ônibus, com horários restritos. Uma opção é alugar carro. E era a nossa primeira opção para não ficarmos restritos aos horários dos grupos de excursões. Todavia, pesquisando melhor vi que as filas das fronteiras sempre poderiam ser uma supresa desagradável e tomarem algumas horas. Somado ao cansaço de dirigir por horas no mesmo dia, acabei optando por excursão.

Escolhi a Adriatic Explore, em um tour contemplando Mostar e Kravice, o que foi uma ótima opção. O motorista foi acompanhando em tempo o real o fluxo nas fronteiras e escolhendo as que tinham menos fila. A guia Ivana era muito simpática e sabia muito da Croácia e região. O guia em Mostar também foi bem informativo. Ou seja, nenhum stress e todo o conforto, em um dia naturalmente longo e cansativo, já que são muitas fronteiras e horas de viagem (seja de carro, seja de excursão).

O centro histórico de Mostar é muito pequeno. Muito mesmo! Em 40 min, fizemos todo o walking tour com o guia. Então, tendo 3 horas  no total lá, as 2 horas e poucos restantes foram mais que o suficiente para andarmos, almoçarmos, tirarmos mais algumas fotos e comprar algumas coisinhas. 1h e meia na cachoeira também foi de bom tamanho.