Mont Saint-Michel e o espetáculo das marés

Continuando a série da França, o post de hoje é de um dos lugares mais visitados do país. Aliás, o segundo mais visitado após Paris! Se no passado artistas como Monet e Renoir viajando usando os novos trens rumo à Normandia, hoje hordas de turistas pegam o TGV ou ônibus de excursões todos os dias rumo à St-Michel, vilarejo na divisa das regiões da Normandia e da Bretanha. O lugar recebe mais de 3 milhões de turistas por ano. Então já prepare o psicológico pra ver muita gente!

Ao contrário do que possa parecer, o Mont Saint-Michel não é um castelo ou igreja. Na verdade, trata-se de um vilarejo medieval fortificado em uma ilha. No topo (após muitos e muitos degraus!) fica a abadia, elevada em homenagem à São Miguel Arcanjo.

Por séculos, o lugar resistiu à invasões, particularmente da Inglaterra e, por isso, se tornou um símbolo de resistência francesa. Isso se deu devido à sua posição geográfica, que faz com que na maré baixa o lugar seja apenas arenoso e na maré alta se torne uma ilha isolada do continente. As chamadas “marés galopantes” chegavam à até 15metros de altura rapidamente, e da mesma forma que chegavam também iam embora. Por isso a travessia era tão perigosa.

Finalmente, decks, barragens, uma estradinha de acesso foram construídos, garantindo o fácil acesso ao longo do ano todo ao Mont St-Michel. Todavia, isso provocou o assoreamento do entorno do Monte e faz com que ele se torne uma ilha apenas em alguns dias ao ano. Então, ver a dança das marés exige um certo planejamento, e também um pouco de sorte.

Antes da maré subir
Depois da maré subir

Nós sabíamos que estaríamos na Páscoa de 2019 na França e que pretendíamos ir até o Saint Michel. Como queríamos ver a maré alta (se possível fosse) eu analisei o calendário e marquei nossa ida pra lá bem nos dias com alta possibilidade de maré alta. Entrando no site oficial de turismo, há um calendário que mostra o nível da maré durante todos os dias do ano. Um coeficiente maior que 100 indica uma alta chance da maré ficar bem alta e o Mont St-Michel se tornar uma ilha completa por cerca de 1h. Para observar o fenômeno da maré alta, você deve chegar umas 2 horas antes dos horários indicados e achar um espaço em alguma mureta em meio à multidão! E aí é só esperar.

Tivemos a sorte de conseguir pegar uns dos dias de maré mais alta do ano. E realmente a velocidade com que a maré sobe e toma tudo em volta é impressionante! A gente achou nossa mureta e ficamos lá esperando. De longe víamos um grupo de turistas voltando de um tour pelas areias em volta. Há tours guiados para andar nas areais, já que pode ser perigoso se aventurar sozinho (risco de areia movediça ou de subida de maré). Alguns momentos depois víamos uma foca nadando no mesmo lugar que 1h antes havia esse grupo andando!

E ali ficamos muito tempo. Tanto vimos a maré subir e o Mont St-Michel se tornar uma ilha, como tb vimos a maré começar lentamente a baixar. Realmente, um espetáculo das águas!

Quando chegamos: arredores com areia “seca” e nem víamos o mar
Momento em que estávamos indo embora: maré bem cheia ainda
Manhã seguinte: maré baixa (mar mais ao longe)

Como nos hospedamos próximos do Mont (depois vou fazer um post só sobre o hotel), ficamos ali vendo as marés, até que bateu aquela fominha e fomos jantar (num restaurante taaaao bom que tb vai ganhar um post próprio!). Quando terminamos o jantar a maré ainda estava muito alta, as pessoas já haviam partido, ainda havia muita luz solar (em meados/final de abril o sol de põe quase às 22hs) e o Mont St-Michel era nosso!

Depois foi só andar de volta pela estradinha que liga o continente à ilha, com a brisa no rosto e ainda contemplando as águas dançarem só pra gente…

Jardins de Monet – Giverny

A pequena Giverny fica bem perto de Paris, o que dá um bate e volta perfeito pra um dia mais tranquilo na capital francesa. É um local símbolo do impressionismo.

Monet viveu de 1883 até sua morte em 1926 nessa pequena vila rural, em uma casa cercada por jardins repletos de flores , agora conhecida como Maison et Jardins de Claude Monet (Casa e Jardins de Monet).

Sua casa e jardins serviram de inspiração para seus famosos quadros. Alguns deles encontram-se em exposição no recinto. Além dos quadros e da casa, que conta com parte da mobília originária, o que impressiona mesmo são os jardins.

É inegável que o jardim é a grande estrela do lugar! Ali vc vai poder encontrar a famosa ponte japonesa, retratada em vários de seus quadros, como também as vitórias régias. Fomos na primavera e o jardim estava repleto de tulipas, narcisos e rosas.

Giverny na prática

Por falar nisso, o local fecha durante parte do ano, abrindo mais ou menos um pouco antes da Páscoa até meados de outubro. As datas e o horário de funcionamento podem ser encontradas no site.

Para chegar lá tem que pegar o trem a partir da estação Gare St.-Lazare até Vernon e depois um ônibus até Giverny. O local de partida do ônibus é em frente à estação de trem. No total, vc vai gastar 40 euros de transporte + 10 do ingresso.

Teoricamente, o trem é casado com o horário do ônibus. São apenas 4 ou 5 ônibus ao longo do dia, que passam a cada 2 horas aproximadamente. Uma amiga que tinha ido me disse que o ônibus não passou e eles tiveram que esperar mais 2hs pelo próximo.

Por isso, resolvemos ir de excursão mesmo. A excursão custava 45 euros e nos deu o tempo suficiente pra visitar a casa e os jardins com calma. Usamos novamente a France Tourisme, que iríamos usar pro tour no Vale do Loire nessa mesma viagem.

Mandei um email perguntando quanto tempo teríamos lá e disseram que seria de 1:30 à 2hs. Parecia pouco e, no fim, realmente ficamos 2hs, mas foi o suficiente.

Há o Passeio do Impressionismo, vendido pela TGV, em que há um trem decorado e o bilhete dá acesso à outras atrações e paradas, mas só é vendido no verão.

Um dia no Vale do Loire

O Vale do Loire é uma região bem grande da França, contando com mais de 300 castelos que se estendem ao curso do rio Loire. A uma curta distância de Paris, a região já foi de imensa importância estratégica. Antes do Rei Francisco I mudar o centro de poder dali para Paris, reis, rainhas e nobres vieram aqui para estabelecer castelos feudais e, mais tarde, suntuosos palácios. Durante a Revolução Francesa, muitos foram saqueados e parcialmente destruídos. Por isso, os que são abertos à visitação, praticamente não tem mobílias e itens originais.

Hoje, a maioria dos castelos ainda são de propriedade privada, sendo que alguns são abertos para visitação ou tornaram-se hotéis. Alguns têm sido assumidos pelo governo e entrado na rota do turismo, como o de Chambord, atraindo milhares de visitantes anualmente.

Nós fizemos 3 dos mais conhecidos castelos do Vale em um só dia, a partir de Paris em um bate-e-volta (lá no fim do post eu dou os detalhes). Conhecemos Chenonceau, Cheverny e Chambord.

Château de Chenonceau

Construído às margens do rio Cher, o Château de Chenonceau é um dos mais elegantes e bonitos do Vale do Loire. Este castelo é em grande parte obra de sete mulheres notáveis, duas das quais foram rainhas da França. Daí seu apelido “Le Château des Dames” (Castelo das Damas).

A fase inicial da construção começou em 1515 Katherine Briçonnet. Mais tarde, a ponte em arcos, a galeria e o jardim foram adicionados por Diane de Poitiers, amante do rei Henri II. Após a morte de Henri, Catherine de Médicis, a viúva do rei, forçou Diane (sua prima de segundo grau) a trocar Chenonceau pelo menos grandioso Château de Chaumont. Catherine completou a construção do castelo e acrescentou o labirinto, mais um jardim. Mais curioso, Catherine de Médico mandou realizar a construção em cima da ponte pq era onde a amante gostava de passear.

Chenonceau teve um apogeu do século XVIII sob a aristocrática Madame Dupin, que fez do castelo um centro da alta sociedade. Durante a Revolução Francesa, ela conseguiu salvar o castelo da destruição de multidões raivosas.

Outra curiosidade é que o castelo serviu de inspiração para o desenho da Cinderela.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o salão principal serviu de enfermaria. Hoje, guarda dezenas de quadros e peças importantes, vistas por milhares de turistas.

Dica: almoçamos ali mesmo. Ao lado do castelo, fica o “Bâtiment des Dômes”, onde fica um restaurante self-service à preços amigos.

Château de Cheverny

Apesar de pequeno, esse é possivelmente um dos mais suntuosos castelos do Vale. Provavelmente, a razão é que tem sido cuidado pela mesma família por gerações e gerações desde 1600.

O castelo tem algumas curiosidades. Uma delas é que, mais à frente dos jardins, o canil abriga cerca de 100 cães de caça.

Outra curiosidade é que esse castelo serviu de inspiração para o desenho do Tim Tim.

Por fim, às vezes há algumas exposições no castelo. Quando fomos, havia uma de lego, mas eu não acho que tenha combinado tanto assim com o ambiente hahaha

Château de Chambord

Nosso terceiro e último castelo era o mais aguardado de todos!

O castelo conta com 440 quartos, 365 lareiras e 84 escadas . É de longe o maior e mais visitado castelo do Vale do Loire. Iniciado em 1519 pelo rei François I, como casa de caça, rapidamente se transformou em um dos projetos arquitetônicos mais ambiciosos já tentados por um monarca francês.

Ironicamente, quando Chambord foi finalmente finalizado após 30 anos de trabalho, Francis achou seu palácio elaborado demais, preferindo os apartamentos reais em Amboise e Blois. No fim das contas, ele ficou aqui por apenas 42 dias durante todo o seu reinado!

Dentro do castelo, o que mais chama a atenção é a escadaria em hélice, supostamente construída por Leonardo da Vinci. São duas escadas interligadas em hélice, mas que nunca se encontram. Acredita-se que foi feita assim para que a realeza pudesse subir e descer sem se encontrar com súditos do castelo.

Mais impressionante ainda é o bosque que rodeia o castelo. Conta com mais de 50km², dos quais apenas uma parte é aberta ao público.

Uma curiosidade é que o castelo serviu de inspiração para o desenho da Bela e a Fera.

Vale do Loire na prática

Ficamos vários dias em Paris (depois vou postar nosso roteiro completo). Fizemos esse tour em um dos dias. Até pensamos em alugar carro e fazer esse trajeto em 2 ou 3 dias,incluindo mais pontos turísticos. Ou em ir de trem, também pernoitando em Amboise. Mas no fim, somando custos e benefícios, resolvemos fazer esse trajeto mesmo e conhecer outros pontos na França (Giverny, Saint Germain, etc).

Além disso, esse tour custou cerca de 100 euros, sendo que apenas as entradas dos três castelos daria algo em torno de 50 euros.

Foi um dia corrido, em que levamos na ida mais de 2hs e a mesma coisa na volta. Mas o tempo em cada um dos lugares foi suficiente. Cerca de 2hs em Chambord e Chenonceau e cerca de 45 minutos em Cheverny.

Talvez o que tenha contribuído, foi o fato que mesmo sendo alta temporada, só haviam 8 pessoas no nosso tour, que foi feito numa van. Logo, acabou sendo mais rápido do que em um tour com ônibus.

Usamos a empresa France Tourisme e o ponto de saída é bem perto do Louvre.

Obernai

IMG_9080

Obernai é uma pequena vila da Alsácia, contando com apenas 10 mil habitantes. Apesar de seu pequeno tamanho, sua história remonta aos tempos do Império Romano, quando essa pequena vila era um ponto de passagem para os romanos.

Desde então, tal qual outras cidades da Alsácia, já foi uma cidade independente, posteriormente curvou-se à França, depois foi anexada à Alemanha, e daí por diante trocando de mãos algumas vezes.

Daí também essa vila tem todo o charme da Alsácia, com suas casas de enxaimel. Além disso, várias vinícolas da rota do vinho da Alsácia encontram-se próximas a Obernai. Algumas delas são tão próximas que chegam a ser acessíveis à pé ou de bicicleta.

IMG_9057

No nosso terceiro dia pela Alsácia, estávamos pescando o que fazer, pois já tínhamos visto tudo em Estrasburgo e em Colmar. Então, vi que seria muito fácil visitar de trem Obernai a partir de Estrasburgo e lá fomos nós.

A partir da estação de trem pode-se fazer tudo à pé. O primeiro lugar que avistamos foi a atual Prefeitura (Hôtel de Ville). O prédio está lá desde 1370, muito embora em 1848 tenha sido expandido, recebendo uma nova fachada. Ao seu lado, está a torre de uma antiga igreja gótica, ali outrora existente.

IMG_9047

Depois seguimos para a Eglise Saints-Pierre-Et-Paul (Igreja de Santos Pedro e Paulo). É uma igreja relativamente recente, inaugurada em 1872 e foi construída no lugar de outra igreja demolida do séc XII.

Próximo dali também está o Poço, que data de 1579 e tem estilo renascentista. O poço é todo esculpido e repleto de flores.

Após visitamos os Muros da Cidade Antiga, que tem uma extensão de 1400m, 20 torres e 4 portões. Atualmente, na parte interna, uma via pietonal acompanha os muros e serve para passeios e caminhadas.

IMG_9077

 

 

Dicas práticas

Obernai é bem pequena. Algumas poucas horas foram mais que suficientes para vermos os pontos turísticos, andarmos pelo centro, almoçarmos e voltarmos para Estrasburgo. Assim, uma manhã ou uma tarde é mais que o suficiente para um bate-e-volta. Também está a meio caminho de Colmar e pode funcionar bem como uma parada rápida. Se estiver com tempo sobrando, vale a ida. Se o tempo estiver corrido, dedique-se a Estrasburgo.

Nós fizemos um bate e volta de trem. As passagens podem ser compradas na maquininha e não é necessário comprar com antecedência. O trem parte de hora em hora e a viagem dura meia hora. O valor da passagem é 12 euros (ida e volta) e é necessário validar o bilhete. Pode-se voltar em qualquer outro horário no mesmo dia, ainda que o bilhete tenha horário de volta. Da estação central de Obernai até o centro histórico são cerca de 5 minutos de caminhada.