Bem-vindo à Riviera Francesa: Nice

Com seu mar azul, um clima muito bom (para padrões europeus!), unindo praia e história, a Côte d’Azur (ou Riviera Francesa para os brasileiros) arrebata turistas não só da própria França, como do mundo todo! E eu acho que o que atrai as pessoas é que a Riviera Francesa não se resume apenas à praia e sol, ainda que praia seja assunto muito sério para eles! Desde beach clubs, à praias totalmente particulares, iates, festas, praias nudistas e praias públicas, no verão o lugar fica apinhado de gente.

Nós fomos nosso aniversário de casamento em Maio, numa escapada de 4 ou 5 dias. E por ser meados de maio, ainda estava bem tranquilo. Um sol gostoso durante o dia, um friozinho leve à noite e sem muita gente em lugar nenhum.

Na verdade, a Riviera Francesa fica inserida na região de Provence/Alpes/Côte d’Azur e é considerada como parte da Provence para muitos. Então vc tem aquele clima mais bucólico da Provence associado ao Mar Mediterrâneo. Além disso, do avião mesmo já dá pra ver que Nice fica entre o mar e os alpes ao fundo.

  • O que ver em Nice

Nice é um misto de uma cidade maiorzinha, que oferece bons hotéis, bons restaurantes e lojas, mas que dá pra fazer tudo à pé. Normalmente é a cidade base para explorar a Riviera Francesa. Os principais “pontos turísticos” de Nice são:

Promenade des Anglais : é a orla de Nice e onde ficam os beach clubs. De um lado fica o Mediterrâneo, de outro hotéis, prédios históricos, restaurantes e cassinos.

É ali mesmo na Promenade des Anglais que fica o icônico hotel Le Negresco, que teve como um de seus arquitetos Gustaf Eiffel (sim, o mesmo da Torre Eiffel). Mais de cem anos depois de sua construção, ainda é um dos hotéis mais importantes da França.

Place Massena: essa praça do século XIX fica bem entre o centrão da cidade ( estação central, catedral) e a Promenade des Anglais, então em algum momento é certeza que vc vai passar por ela.

Vieille Ville: bem perto da praça Massena fica a “Cidade Velha” e é onde fica o centro histórico de Nice. Perca-se pela vielas antigas, entre lojas de artesanato, de produtos diversos da lavanda e termine com um sorvete em alguma de suas pracinhas. Ou um vinho rosé.

Mais ao fim da Vieux-Nice está o Marché aux Fleurs (Mercado de Flores). Formado pela Place Gautier (Praça Gautier) e Cours Saleya (um mercado/feira de rua), também um bom lugar para fazer uma pausa.

Eu mesma aproveitei pra fazer uma pausa e experimentar o sorvete de lavanda. Eu disse que eles fazem de tudo com lavanda!

Mesmo que vc não queira subir até a Colline du Chatêau (Colina do Castelo), vale a pena andar naquela direção porque há vistas lindas no caminho. Lá em cima já existiu um castelo. Hoje restam algumas ruínas e o local virou um parque. Nós não fomos porque nos demos por satisfeitos com a vista lá de baixo mesmo.

Por fim, o que não pode faltar é uma ida à um Beach Club! Especialmente se for verão! Mas isso rende um post sozinho!

Nice na prática

Dicas do que comer em Nice e onde se hospedar também vão ganhar outros posts em breve.

Há voos de várias cidades da Europa para Nice. Do aeroporto pegamos um táxi, que custou 30 euros em uma corrida de 15 minutos. Alternativamente, há ônibus que saem do aeroporto e vão pra Promenade des Anglais e para o centro com várias paradas. Muito provavelmente seu hotel estará perto de alguma parada.

E se vc vai à Nice, um bate e volta à Mônaco é obrigatório, e eu já escrevi um roteiro bem completinho de 1 dia aqui.

Rennes

Rennes é a capital da Bretanha e ponto de passagem entre Paris e vilarejos medievais como St-Malo e Mont Saint-Michel. Foi justamente por isso que nós passamos uma noite hospedados lá. E uma tarde foi mais que o suficiente pra ver o que tinha na cidade.

Apesar de Rennes ser a cidade da região da Bretanha, confesso que achei a cidade meio sem graça, sem muita coisa para ver ou fazer. Em menos de 2hs vimos tudo que tinha pra ver.

Ficamos hospedados bem perto da estação central e de lá fizemos tudo à pé. A partir do nosso hotel fomos para a Prefeitura (Hotel de Ville), que fica numa praça central.

Logo em frente está a Ópera e bem perto se encontra o Parlamento.

Ópera

Um pouco mais a frente está o centrinho medieval, com casas em enxaimel. Mas não são tantas assim. Especialmente porque há cerca de uns 2 meses tínhamos ido à Alsácia, aí que não ficamos impressionados mesmo!

Por ali também ficam as ruas Le Bastard, d’Orleans, Champ Jacquet, Chateaurenault, etc. E todas elas são repletas de lojas. Eu mesma passei um tempão na Uniqlo! E depois de fazer algumas compras voltamos para o hotel.

Como disse, não tem muito o que fazer e nos serviu mesmo como um ponto de passagem para as outras cidadezinhas. Foi conveniente já que fomos de transporte público, mas não impressionou. Acho que vale mais a pena pernoitar em uma das outras cidades, como St-Malo.

Rennes na prática

  • Como chegar

Aqui nesse post fiz um roteiro completinho de como ir para o Mont-Saint Michel e inclui como fizemos o trajeto de trem, passando por Rennes. E nesse post aqui, eu falo como fiz um bate-e-volta para St-Malo a partir de Rennes.

  • Onde se hospedar

Nós ficamos hospedados no Ibis Styles Rennes Centre Gare Nord. O hotel era bem moderninho, barato, limpo e incluía café da manhã. Fica de frente pra gare, a uma curta distância à pé do centro.

Ao lado do hotel tem uma creperia que servia ótimas galettes (crepes) e a tradicional cidra bretanha. Vale a pena.

Saint-Malo

Estávamos em Rennes com um dia sobrando e ficamos na dúvida entre ficar por Rennes ou fazer um bate-e-volta em St-Malo. E ainda bem que decidimos ir porque ficamos encantados com a cidadezinha. Ainda mais considerando que não estava apinhado de gente, como na véspera no Mont St-Michel, sentimos que até gostamos e aproveitamos mais Saint-Malo do que Mont St-Michel! Então, se vc estiver na dúvida entre incluir ou não essa cidade quando estiver pela Bretanha, não pense duas vezes e vá!

A Bretanha já foi um reino independente, já foi território inglês e finalmente foi conquistada pela França. Por ter sido uma das últimas regiões independentes da França, ainda é possível ver placas em Bretão, dialeto ainda falado por parte da população.

Saint-Malo é uma cidade portuária da Bretanha. A construção das fortificações da cidade começou no século XII e durante os séculos XVII e XVIII era uma das cidades mais estratégicas da França, por estar muito próxima do Canal da Mancha. Por isso mesmo era tão importante anexar a Bretanha. A cidade ficou conhecida como “A Cidade Corsária” porque os navios mercantes e corsários (piratas) estavam oficialmente autorizados pelo governo francês a invadir e pilhar embarcações estrangeiras que passassem pelo Canal da Mancha.

Hoje as únicas invasões são as de centenas de turistas todos os dias passeando pela cidade medieval. A primeira coisa que fizemos foi dar uma volta pelas muralhas, admirando o mar azul.

Próximo da Plage de Bon Secours ficam as ilhotas Grand Bé e Petit Bé. Na Grand Bé fica túmulo de René de Chateaubriand. Já na Petit Bé fica um forte, que era usado para defender a cidade. Quando a maré está baixa é possível ir andando até as 2 ilhas. Quando a maré alta, o caminho estava fica coberto de água. Curiosamente, com a maré alta uma piscina natural é abastecida e mesmo estando mais friozinho vimos uns gatos pingados mergulhando!

Depois disso, nos perdemos pelas ruelas e então paramos para almoçar. O mais típico de St-Malo são as ostras, o que não seria uma opção q nem o David e nem eu gostamos. Maas eles também são conhecidos por fazer ótimas galettes (crepes salgados) com bastante manteiga. Aliás, a melhor manteiga da França é justamente a da Bretanha. Infelizmente, esqueci de anotar o local que almoçamos, mas tinha um crepe realmente delicioso. E como é costume da região: acompanhado de cidra de maçã, também localmente produzida.

Continuamos andando pela cidade, parando por aqui e ali. Paramos para comprar muitos caramelos, outra coisa muito típica de toda Bretanha. E pelo meio fim da tarde voltamos para Rennes, com a sensação de que deveríamos ter nos hospedado em St-Malo ao invés de Rennes!

  • Saint Malo na prática

Comprei as passagens Rennes/Saint-Malo na hora e paguei algo como 25 euros por pessoa. A viagem dura cerca de 50min. Da Gare Central de St-Malo (estação central) até a cidadela histórica são uns 15 min de caminhada agradável à beira-mar.

É possível comprar com antecedência pelo site da SNCF. E também dá pra comprar passagens de ônibus Mont St-Michel/St-Malo pelo site da SNCF.

Mont St-Michel na prática

  • Como chegar

Nós fomos de transporte público e isso é realmente muito fácil. No nosso caso fizemos apenas a perna da ida Paris/Mont Saint Michel pq depois fizemos um stop-over em Rennes e fizemos Rennes-Paris na volta.

Não há trens direto para o Mont St-Michel, mas de toda forma, quando vc entra no site da SNCF e coloca Paris/Mont St-Michel, o site já te dá a passagem de trem combinada com a do ônibus que leva para o Mont St-Michel. São 1h40m de trem até Rennes e depois mais 1h de ônibus até o Mont. O trem parte de Paris da estação Montparnasse.

O horário do trem é casado com o do ônibus, com uns 15 minutos de espaço pra desembarcar em um e entrar no outro. Lembro que saindo do trem, descemos um andar, saímos da estação e a rodoviária ficava atrás. Aí era só procurar a plataforma indicando o destino “Mont Saint Michel”. Não sobrava muito tempo, mas era o suficiente pra achar o ônibus e embarcar. Quando estiver no ônibus, fique atento pois o ônibus faz outras paradas.

A volta é a mesma coisa, ônibus + trem. No nosso caso tb voltamos por Rennes, mas compramos as passagens separadas Mont Saint Michel/Rennes e dois dias depois Rennes/Paris, pois aproveitamos pra conhecer Rennes e fazer mais um bate e volta a partir de Rennes pra St-Malo (que terão posts próprios). As passagens de ônibus também comprei pelo site da SNCF e muito embora o horário fosse 18hs nos deixaram embarcar no ônibus anterior sem problemas (até pq estava praticamente vazio):

Note que o preço das passagens podem variar bastante, conforme a data, horário. Tanto que a ida pagamos 142 euros na segunda classe e a volta 48 euros na primeira classe pra 2 duas pessoas:

Pelo que me lembro também haviam trens e ônibus para a estação de Pontorson, que é uma cidade próxima do Mont Saint Michel, e de lá haviam ônibus para Mont St-Michel, mas não fiz esse trajeto porque não encontrei muitas informações.

  • Bate e volta ou ficar uma noite lá?

Como eu já disse nesse post aqui, a sua primeira decisão vai ser quanto tempo ficar no Mont Saint-Michel. Há excursões todos os dias a partir de Paris, mas isso eu não recomendo mesmo!

Durante o dia o lugar fica muito cheio! Com centenas e centenas de pessoas chegando

Às 5hs o lugar já ficava mais vazio com as excursões de ônibus voltando para Paris, ou pessoas que fizeram um bate-e-volta na combinação trem + ônibus. Depois das 19hs então fica realmente deserto! E foi aí que aproveitamos pra realmente explorar o vilarejo. Subir e descer por vielinhas estreitas, tirar 50mil fotos, sentar e continuar a ver a maré.

Havíamos chegado ao Saint Michel logo depois do almoço e o lugar estava apinhado de gente. É muita gente mesmo! Tanta gente que há filas pra subir aqueles trucentos degraus! E pra piorar à tarde estava um calor de fazer dó! Por isso mesmo nem entramos na abadia, que também estava com uma fila enorme e apinhada de gente!

Então, realmente foi muito bom poder aproveitar o lugar vazio, já com aquela brisa gostosa de fim de tarde. Eu recomendo demais passar a noite lá ou em algum lugar bem próximo justamente por isso!

Conheço gente que foi ao Mont Saint Michel e não gostou, justamente pq achou mt lotado e que não aproveitou nada. Acho que não teria sido uma experiência boa mesmo fazer um bate-e-volta de Paris, a começar que não teríamos visto a maré, visitaríamos o lugar com tempo contado e cheio de gente, depois de ficar horas num ônibus de excursão ou no transporte público!

Além disso, a vista do Mont St Michel à noite tb é mt bonita, e vc só vai ter se passar a noite por lá!

Então minha dica mais importante é: reserve um hotel por lá!

  • Onde se hospedar

Vc tanto pode se hospedar dentro da ilha, como fora. Há algumas pousadas dentro do próprio Monte, mas considere que chegando na estação de ônibus ou estacionamento vc ainda terá que pegar um shuttle que te deixará no Monte. Dependendo da localização vc terá que se deslocar com sua mala por vielas medievais e degraus. Além disso, a hospedagem será mais cara.

Por isso, decidimos ficar do lado de fora. São apenas 2 km que separam o Monte da parte continental, facilmente acessível por uma estradinha que fica disponível mesmo na maré alta. É também possível pegar o shuttle gratuito, mas estava sempre cheio e, por isso mesmo, preferimos andar e apreciar a vista, tanto na ida como na volta. Além disso, a vista do Mont St-Michel iluminado à noite faz valer a pena ficar no lado continental.

Ficamos no Hôtel Le Relais du Roy, que já fica quase que na saída da estradinha, a 1,5km do Monte. Também tem ponto do shuttle quase em frente, restaurante próprio, uma Brioche Dorée caso prefira tomar café numa padaria ao invés do hotel e tb estava perto do ponto do ônibus que liga Mont/Rennes. Reservamos um quarto que tinha uma sacadinha com vista lateral para o Mont St-Michel.

Vista da sacada do nosso quarto

  • Marés

O fenômeno da maré eu já expliquei nesse post aqui. Lá tem também o link do calendário das marés.

  • Onde e o que comer

A comida dentro do Mont Saint Michel pode ser bem cara, com restaurantes lotados e que necessitam de reserva.

O prato mais famoso é “Agneau pré-salé” (cordeiro pré-salgado). O que faz a carne ser particularmente saborosa é que é naturalmente salgada. O rebanho se alimenta da vegetação da área que por causa das marés é rica em sal. E daí a expressão pré-salgado. É servido com legumes normalmente também locais.

Outro prato típico é omelete areada feita no forno à lenha. O mais famoso é o do restaurante Mére Poulard. Quando passamos em frente estava com fila de espera. Dizem que é a omelete é ok, que é mais famoso do que bom, e vimos que custava cerca de 40 euros. Não animamos nem um pouco.

Encontramos o Hotel et Restaurante Du Guesclin e resolvemos jantar ali. Como a cidade já estava vazia, o restaurante estava bem tranquilo e pegamos uma mesa no andar de cima com vista para a Baía. O restaurante já valeria apenas pela vista! Mas além disso a comida era muito boa mesmo e eu recomendo esse restaurante demais!

Pegamos o menu com a opção de omelete areada e feita no forno como entrada e só a entrada já era o suficiente pra mim! Mas já que missão dada é missão cumprida, o prato principal tinha que ser o agneau pré-salé. E terminamos com uma sobremesa, porque a gente sempre acha um segundo estômago pra sobremesa ne! Esse menu custava 32 euros, mas havia opções à la carte, ou outras opções de menu.

Gostamos tanto que no outro dia voltamos e almoçamos lá de novo. No almoço estava mais agitado, mas mesmo assim conseguimos pegar a última mesa no andar de cima. Enfim, vale a visita!