MIYAJIMA E HIROSHIMA DESDE QUIOTO EM UM SÓ DIA

Nos posts anteriores eu contei o que visitamos na Ilha de Miyajima e Hiroshima. Nesse post, vou dar um roteiro mais prático de como fizemos esse bate e volta em um só dia.

Eu já falei do JR Pass aqui. Como disse, o JR Pass valeu muito a pena para nós. A começar por esse bate e volta em trem-bala, que não pagamos nada a mais por isso. Com ele em mãos, bastou ir ao guichê da estação central de Quioto e fazer nossa reserva de assentos para Hiroshima. Como também disse, a reserva não é necessária porque pode-se viajar nos vagões sem assento marcado. Entretanto, é comum lotar e chegamos a ver pessoas viajando em pé para Hiroshima. Afinal, era horário de pico.

Queríamos ir por volta de 09:30 da manhã para ter tempo de sair do hotel com calma, ir para a estação central, achar a plataforma (o que já significava sair pelo menos meia hora antes do hotel). Nesse horário não havia trem direto, mas apenas com uma troca em Shin-Kobe. O trem direto era bem mais cedo (às 8h). Então optamos por fazer a baldeação e foi muito tranquilo. Tão fácil que o trem que foi de Shin-Kobe para Hiroshima passou na mesma plataforma que descemos! Na volta fizemos uma troca em Osaka.

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Então os horários ficaram assim:

Ida:

  • 9:46h: Kyoto -> Shin-Kobe (chegando lá às 10:14)
  • 10:22h: Shin -> Hiroshima (chegando lá às 11:35)

Volta:

  • 18:48h: Hiroshima -> Shin-Osaka (chegando às 20:24)
  • 20:37h: Shin Osaka -> Kyoto (chegando às 20:51)

Ou seja, mesmo com troca de trem, com o trem bala já estávamos em 2hs em Hiroshima. Bem tranquilo, ainda mais considerando que são quase 400km de distância entre uma cidade e outra! Há várias opções de horários, tanto antes desse que escolhemos, como depois.

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O trem foi o mais confortável que pegamos no Japão. Tanto que eu nem vi o tempo passar!

 

  • Como chegar na Ilha de Miyajima

Ao chegarmos na estação central de Hiroshima, pegamos ali mesmo o trem/metrô linha JR Sanyo Line (novamente utilizando o JR pass).  Depois de cerca de meia hora no trem, descemos na estação Miyajimaguchi. Descendo na estação, há placas apontando para o local em que se pega o ferry e foi uma caminhada bem curtinha.

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Pegamos a ferry, também operada pela empresa JR. Há outra empresa que opera esse trecho também e é importante estar atento para não pegar a fila errada.

Não sei se era por ser alta temporada e horário de almoço, mas havia uma ferry a cada 15 ou 20min atravessando para a ilha. A travessia é bem rápida e dura cerca de uns 10 minutos. Logo que descemos do barco, recebemos um pequeno mapa, que nem seria necessário. É possível ver o torii antes mesmo de descer da ferry!

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Para lá nos encaminhamos, vimos o torii e tudo mais que queríamos como contei no post de Miyajima. Então, almoçamos e depois fizemos todo o caminho de volta: pegamos a ferry e o trem com destino a estação central.

 

  • Como chegar Parque do Memorial da Paz de Hiroshima

Chegando na estação central, pegamos o tram/bonde n. 2 e descemos na parada Genbaku-Domu Mae ( o tram n. 6 também serve), já bem em frente Atomic Bomb Dome (como o próprio nome da parada sugere). O valor do tram foi de ¥180.

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Como contei no post de Hiroshima, a Atomic Bomb Dome, o Monumento da Paz às Crianças, o Memorial à Hiroshima e o Museu Memorial da Paz estão todos próximos um do outro.  Vimos tudo e então pegamos o tram no mesmo local (mas do lado oposto) e retornamos à estação central a fim de pegarmos nosso trem de volta para Quioto.

Em conclusão, foi um dia longo, mas que deu um roteiro bem redondinho. Muito embora não pareça, também é  bem fácil de fazer. Além disso, deu tempo de vermos tudo que queríamos em ambos os lugares. Então definitivamente valeu muito a pena!

 

 

 

 

 

 

Hiroshima

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Hiroshima é uma cidade bem antiga, mas atualmente moderna e cosmopolita. Entretanto, é lembrada por ter sido alvo da primeira bomba atômica durante a Segunda Guerra Mundial em 6 de agosto de 1945.

Nesse histórico e triste dia, às 8:15 da manhã, a cidade foi arrasada pela Little Boy, a primeira bomba atômica de fissão, lançada pelos Estados Unidos. Assim que a bomba caiu, 80 mil pessoas foram mortas instantaneamente. Ao final de um ano, entre 90 e 140 mil outras pessoas também morreram em consequência de ferimentos ou da radiação.

A população que era de cerca de 400 mil pessoas, foi reduzida para 137 mil e foi só em 1995 que retomou os números pré-guerra. Nos últimos anos, houve um boom populacional e hoje conta com pouco mais de um milhão de habitantes.

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Para além das perdas humanas, a cidade foi quase completamente destruída, sobrando apenas cinzas e escombros. Estima-se que 90% das casas foram danificadas/destruídas. Por isso, houve um esforço para a reconstrução de Hiroshima.

Após o fim da guerra, a cidade foi reconstruída com a ajuda do governo nacional. Em 1949, Hiroshima foi proclamada a Cidade da Paz e passou a atrair mais atenção internacional ao ser escolhida para sediar conferências internacionais sobre a paz.  Até hoje o governo municipal defende o fim das armas nucleares.

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Foi também em 1949 que  foi decidida a construção do Parque do Memorial da Paz de Hiroshima. Hoje esse parque atrai visitantes do mundo todo. Curiosamente, foi visitado por Barack Obama em 2016 e ele foi primeiro presidente ainda em exercício a visitar a cidade. Todavia, a visita não foi muito bem vista pelos japoneses, que esperavam um pedido de desculpas pelo bombardeio e Obama apenas honrou todos os mortos da Segunda Guerra.

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O Parque do Memorial da Paz de Hiroshima pode ser visitado em poucas horas. Todas as atrações estão concentradas nesse parque, estando uma bem próxima da outra. Serve como uma lembrança das atrocidades da guerra e traz uma mensagem de paz, impossível de não ser capturada.

 

  • Atomic Bomb Dome (Genbaku Dome)

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Esse é o ponto de interesse principal em uma visita a Hiroshima e foi por ele mesmo que começamos nossa visita. São as ruínas de um dos prédios da antiga Prefeitura. A bomba foi detonada no ar a quase 600 metros bem em cima dela. Em um raio de 2km a seu redor, tudo virou cinzas. Não houve nenhum sobrevivente entre os que estavam dentro do prédio da prefeitura ou em suas imediações. No entanto, parte da prédio remanesceu.

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Foi decidido depois que as ruínas seriam mantidas como forma de lembrar a humanidade dos horrores de uma bomba atômica. A intenção é que o local seja para sempre preservado.

 

  • Monumento da Paz às Crianças

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Um pouco mais a frente do Domo, está o Memorial às Crianças. Foi erguido em homenagem às crianças que morreram em razão da bomba atômica. Inicialmente, foi inspirado em Sadako, uma menina que sobreviveu ao ataque, mas desenvolveu leucemia logo após. Ela acreditava que seria curada se fizesse mil origamis como oferta aos deuses. Todos os dias fazia origamis pedindo pela sua cura e pela paz mundial. Faleceu antes de terminar os mil (fez 646) e seus colegas de classe terminaram por ela.

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Sua história inspirou a criação desse memorial, que hoje tem milhares de origamis e os seguintes dizeres: “Este é o nosso grito, esta é a nossa oração. Paz na terra!”. Quando chegamos, haviam crianças cantando ao redor do monumento.

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  • Monumento Memorial à Hiroshima

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Mais a frente do Monumento às Crianças, dentro do Parque e em frente ao Museu, está o Monumento à Hiroshima. Contém a esperança de que Hiroshima será sempre uma cidade de paz. A câmara de pedra contém os nomes das vítimas da bomba. Para os habitantes, é um local de oração, lembrança do mal ocorrido e fé no futuro.

 

  • Museu Memorial da Paz

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Por fim, visitamos o Museu. Ali há artefatos, coisas diversas pertencentes às vítimas,  vídeos com testemunhos de sobreviventes, fotos da cidade como era e como ficou, fotos das vítimas (muitas delas mortas), etc. Tudo serve para dar a ideia do que ocorreu naquele dia.

Dentre objetos pessoais das vítimas, vimos um relógio que foi encontrado, que parou de funcionar no exato momento que a bomba eclodiu (8:15). Também vimos essa bicicleta da foto. Um menino de 3 anos estava pedalando em frente de casa quando a bomba foi lançada. O relógio e a bicicleta foi tudo o que restou de ambas as vítimas, que morreram queimadas instantaneamente.

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A mensagem “Sem mais Hiroshimas” está logo na entrada e a cada sala do museu o horror da bomba pode ser sentido. Saímos de lá desejando realmente que tal fato nunca mais se repita e sem entender o que leva a humidade a tantas atrocidades.

 

Para concluir o post, muito embora tenha sido uma visita pesada, o parque em si é bonito e hoje está cheio de vida. Gramado e com flores por todos os lados, recebe não só visitantes do mundo todo, mas também habitantes que ali vão para orar. Espelha o espírito japonês: que lembra e lamenta o passado, mas que é capaz de se reerguer, esperando prosperidade no futuro.

Fora o Parque, a cidade nos pareceu muito moderna e cheia de vida. Infelizmente, só tivemos algumas horas lá, mas deu para perceber que ela é a cidade lembrança da bomba atômica que ali caiu mesmo, mas também é muito mais.

Os detalhes de como fizemos para visitar, o bate-e-volta em um só dia desde Quioto (e que também incluiu a Ilha de Miyajima) é assunto desse post aqui.

 

 

 

Miyajima

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Miyajima, também conhecida como Itsukushima, é uma pequena ilha que situa-se na província de Hiroshima. É um dos locais mais visitados do Japão por conta de sua paisagem. E não é mesmo para menos! Cercado por uma mata verde, seu famoso torii na maré alta parece flutuar sobre a água!

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O primeiro torii foi ali construído em 1168, mas acabou sendo substituído algumas vezes. O último é oitavo e data de 1875, tendo 16,6m de altura. Nós demos sorte e fomos justamente quando a maré estava bem alta! Não é a toa que é o principal cartão postal da ilha!

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Entretanto, Miyajima não é só esse grande portal. Como todos os outros toriis, representa o limite entre o mundo espiritual e o mundo humano. Por isso, como todos os outros também, está bem próximo de um templo, no caso, o Templo Itsukushima. Vimos o templo por fora, que realmente é bem bonito. Sequer entramos nesse templo, pois já havíamos visitado vários templos no Japão. Além disso, nosso tempo era escasso, já que ainda iríamos almoçar e seguir para Hiroshima e voltar para Quioto no mesmo dia.

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Além desse templo, há um outro pequeno templo, uma pagoda, um museu de história e um aquário. No entanto, depois dos toriis, o que mais chama atenção são seus habitantes de quatro patas, que estão em toda a ilha: os cervos!

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Mansos e acostumados com as hordas de turistas que ali aportam, ficam sempre a espreita dos turistas, tendo roubar um biscoito, ou o que quer que seja. Bambis fofíssimos! São considerados mensageiros dos deuses.

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Nossa visita na ilha não foi das mais longas. Logo que descemos do barco, vimos o torii e para lá nos encaminhamos, já encontrando muitos veadinhos pelo caminho. Depois vimos o templo por fora,  batemos um pouco de perna vendo os outros pontos turísticos, uma rua comercial e até mesmo uma noiva chegando ao casamento!

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Por fim, almoçamos e pegamos a ferry de volta porque ainda iríamos conhecer Hiroshima (assunto do próximo post). Os detalhes de como fazer um bate-e-volta a Miyajima e Hiroshima em um só dia você confere nesse próximo post aqui.

 

 

Himeji

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Himeji é o maior e mais visitado castelo de todo o Japão. É considerado tesouro nacional e um dos poucos castelos remanescentes que são originais. Vale muito a pena ser visitado por aqueles que se interessam pela história ou pela arquitetura japonesa!

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A fortaleza começou a ser edificada em 1331, mas foi só no século XVI que ele passou a ter as características mais atuais. Desde então, passou por algumas reformas e foi aumentado ainda mais. Interessante notar que a cidade de Himeji foi bombardeada no final da Segunda Guerra Mundial. Apesar de a área em seu entorno ter pegado fogo por isso, o castelo sobreviveu quase que intacto aos bombardeios. Foi recentemente restaurado e hoje recebe turistas diariamente.

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Outro fato interessante é que o acesso ao castelo ocorre de forma meio labiríntica (esteja preparado para andar e subir escadas). Para se chegar ao palácio principal, passa-se por vários portões e várias voltas são dadas. Isso foi proposital. A ideia era retardar a entrada de inimigos, dando tempo para a organização da defesa. Em toda a fortaleza há pequenas “janelas” utilizadas para atirar flechas, fogo e outras armas nos inimigos invasores.

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É possível visitar o palácio principal, que é composto de seis ou sete andares. Entra-se no térreo e a subida é feita por escadas íngremes e estreitas de madeira. No interior, quase não há mobiliário. Todavia, há armas da época e pode-se ver passagens secretas, ora utilizadas como esconderijo, ora como estratégia de ataque.

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Himeji na prática

O castelo de Himeji é a maior atração turística da cidade de Himeji. Pode ser visitado como um stopover a caminho de Hiroshima, ou como um bate-e-volta desde Quioto, que foi o que fizemos.

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Um day-trip desde Quito é muito fácil e rápido, apesar da distância. Pegamos o trem bala às 9:46 da manhã e chegamos em Himeji antes das 11. É importante fazer reserva na ida pelo menos, pois é comum que os vagões sem reserva lotem e as pessoas tenham que até mesmo ir em pé: ou seja, o que poderia ser uma viagem super legal acaba virando um perrengue.

Marcamos nossa volta lá mesmo porque não sabíamos quanto tempo precisaríamos. Voltamos por volta de 14-15 hs e nesse horário foi tranquilo fazer reservas de assento na hora. Às 17hs já estávamos de volta ao hotel. Para isso, usamos nosso JR Pass que eu já expliquei aqui como funciona.

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Chegando em Himeji, basta sair da estação de trem pelo portão principal e andar cerca de 10-15 minutos para se chegar ao complexo do Castelo. Na volta almoçamos em um dos restaurantes da avenida no caminho.

O castelo abre diariamente e a entrada custa 1000 yenes.