A última parada do nosso cruzeiro foi em Katakolon, uma pequena cidade portuária que eu nunca tinha ouvido falar, mas que é a porta de entrada para Olímpia. Sim, a mesma Olímpia que já atraía pessoas de todos os cantos da Grécia Antiga para os Jogos Olímpicos!
E embora eu tenha descoberto que há praias e vinícolas por perto de Katakolon, o que eu queria mesmo era me juntar aos milhares de outros passageiros do cruzeiro e visitar Olímpia e ver o local onde começaram as Olimpíadas.

Afinal, era ali que aconteceram as Olimpíadas por mais de um milênio a cada quatro anos. No ano 393d.C. o evento foi banido pelo Imperador Romano Teodósio I, que fez do catolicismo a religião oficial do Império e queria apagar traços da cultura pagã.
Após o fim dos jogos, o local entrou em declínio econômico e social. Não bastasse isso, sofreu com invasões bárbaras, um grande incêndio, um grande terremoto e foi, enfim, abandonado pelos habitantes. De forma que hoje apenas sobraram as ruínas do que foi um dos lugares mais importantes da Grécia Antiga.
Mas nem só de Olímpiadas vivia Olímpia! Antes mesmo de abrigar o maior evento esportivo do mundo antigo, Olímpia já era um importante Santuário, que assim como Delos atraía peregrinos de toda a Grécia. Então, no Sítio Arqueológico de Olímpia você também encontra ruínas de templos, estátuas e outros objetos que faziam parte da religião.

Ali ficava a Estátua de Zeus, que foi uma das 7 Maravilhas do Mundo Antigo. A estátua tinha 13m de altura, feita em mármore e ouro no século V a.C. e ficava dentro do Templo de Zeus. Com o fechamento dos templos pelo Império Romano, cogita-se que ou a estátua tenha sido desmontada e levada para Constantinopla (e depois perdida), ou que tenha desaparecido durante o incêndio e terremoto. Fato é que nada restou na estátua, exceto o altar em que se encontrava.

Próximo ao Templo de Zeus, estão as ruínas do Templo de Hera, esposa de Zeus e rainha dos deuses. Era o templo mais antigo de Olímpia e foi um dos mais importantes da Antiguidade.

E justamente devido à sua importância que a Tocha Olímpica era acesa pela luz do sol em frente ao Templo de Hera já na Antiguidade. As Olimpíadas modernas trouxeram a Tocha Olímpica de volta que hoje continua a ser acesa em frente ao templo, novamente usando a luz do sol e espelho. A tocha é acesa meses antes da abertura das Olímpiadas e viaja o mundo, somente sendo apagada na cerimônia final dos jogos. E quem não lembra que a tocha rodou o Brasil nas Olímpiadas no Rio em 2016 com celebridades se voluntariando pra carregar!? hahahah
Maaas voltando ao assunto, além dos templos e local onde se acende a tocha, em Olímpia há ruínas de local de oferendas, memoriais e muitas outras coisas que compunham o Santuário na época.

E todos esses templos e locais sagrados também ficam no mesmo complexo em que estão as ruínas relacionadas aos jogos, como o Estádio. O arco em que competidores de toda a Grécia passavam para adentrar à Arena ainda está de pé e é por ali que nós também passamos!
Justamente por ser um santuário e uma cidade-Estado mais neutra, Olímpia foi escolhida para sediar os jogos. Na época, a civilização grega era considerada a mais avançada do mundo e, por isso, apenas gregos livres podiam participar dos jogos para honrar aos deuses, em particular Zeus. Era um evento único em que havia trégua nas guerras entre as Cidades-Estado e gregos de todos os cantos iam até Olímpia prestigiar os atletas.
Além do Estádio, há ruínas do local em que os atletas treinavam, de seus “alojamentos” e de alguns “locais esportivos” da época.
E uma vez visitado tudo isso, você pode ir ao Museu Arqueológico, que além de vasos e objetos escavados, conta com a Estátua de Hermes, esculpida no século IV a.C e ainda em bom estado de conservação. E também ir ao Museu da História dos Jogos Olímpicos da Antiguidade, que também tem mosaicos e esculturas relacionados aos jogos.

Como visitar Olímpia em uma parada de cruzeiro
Quase todos que chegam a Olímpia vêm pelos muitos cruzeiros atracam em Katakolon. E a distância entre o Porto de Katakolon e Olímpia é de 40km. Na época a opção que tínhamos era de ir caminhando até a estação de trem que fica a 5 minutos do porto (na mesma “avenida do porto”) e seguir até Olímpia. E dá pra conferir os horários aqui. Chegando a Olímpia haveria uma caminhada de uns 15 minutos até o Sítio Arqueológico.
Quando fomos só haviam trens de hora em hora e custavam só um pouco menos que o transfer do próprio navio. Então, usamos o transfer (sem excursão guiada) até porque deduzimos que o trem poderia estar muito lotado. Assim, optamos por evitar o risco e reservamos o transfer ida e volta no navio.
Mas pelo que li agora há um ônibus (e o ponto de ônibus fica bem em frente ao porto) que leva os passageiros também diretamente para Olímpia com uma boa frequência. Mas não sei dizer se é suficiente para tantos passageiros desembarcando e voltando ao mesmo tempo.
O ingresso de entrada custa 12 euros e dá acesso ao Sítio Arqueológico e aos museus.




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